14 julho, 2009

"Minha quizília era a ditadura"

José Nivaldo Jr. é hoje um bem- sucedido publicitário, bacharel em Direito, mestre em História e diretor da Makplan, agência que fez o marketing político das campanhas de Leonel Brizola a presidente (1989), Eduardo Suplicy a senador por São Paulo (1998), João Paulo a prefeito do Recife (2000) e Paulo Maluf a prefeito de São Paulo (2004), entre outras. Entre 1971 e 1973 ele teve participação na luta clandestina
contra a ditadura em Pernambuco, época em que tinha os codinomes "Hilário" (por estar sempre bem humorado) e "Alfinete", por ser magro, duas características que mantém ainda hoje. "Eu nunca fui comunista", diz ele, em entrevista ao Diario. "Mas nunca deixei de sê-lo".

Foi amigo de Manoel Lisboa, a quem deu carona algumas vezes em viagens para a Zona da Mata. "Ele tinha uma admiração quase mítica pelos camponeses. Era no campo que ele imaginava instalar a guerrilha", conta José Nivaldo, que era então estudante de Direito e professor de cursinho. Em 1973 o PCR executou uma ousada investida na Base Aérea do Recife, para pegar armas. Precisou de um motorista. José Nivaldo aceitou a tarefa. Acabou preso mais tarde, e torturado. Passou quase dois anos na cadeia. "Se o tempo pudesse voltar, nas mesmas circunstâncias faria tudo outra vez", escreveu ele em um texto de homenagem a Manoel Lisboa, ano passado.

José Nivaldo nunca foi militante do PCR ou de qualquer outra organização de esquerda. Juntamente com o amigo Leonardo Cavalcanti fundou o agrupamento PND - Partido de Nós Dois, que definiam como "armorial e esquerdista". Não seguiam orientação de nenhum partido, mas faziam alianças com diversos grupos clandestinos. "Minha quizília era a ditadura. Eu queria lutar contra a ditadura", afirma. Quase 40 anos depois, ele avalia a luta armada de forma positiva, como "uma circunstância necessária, que exacerbou as contradições da ditadura".

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