15 agosto, 2008

Cemitério da Idade da Pedra mostra que Saara foi 'verde'

Um cemitério da Idade da Pedra à beira de um extinto lago no Níger mostra que o Saara teve um breve período fértil, o que permitiu que fosse habitado por peixes, crocodilos e seres humanos, disseram pesquisadores na quinta-feira.O sítio arqueológico de Gobero, nome dado pelos tuaregues ao lugar, tem 10 mil anos e foi descoberto em 2000, mas só agora os paleontólogos conseguiram informação suficiente para apresentar um estudo, segundo Paul Sereno, da Universidade de Chicago.

O grupo procurava fósseis de dinossauros quando topou com ossos de humanos e animais e alguns artefatos. "Percebi que estávamos no Saara verde", disse Sereno, que na época trabalhava para a National Geographic.Ali há pelo menos 200 tumbas, aparentemente deixadas por dois assentamentos humanos separados por um intervalo de mil anos. Em um dos túmulos, uma mulher jaz há cinco milênios abraçada a duas crianças, sobre um leito de flores.

Os habitantes mais antigos eram caçadores e coletores altos e robustos, chamados "kiffianos", que teriam abandonado a área quando o lago secou por uma primeira vez, há cerca de oito mil anos, segundo o relato publicado na revista PLoS ONE, da Biblioteca Pública de Ciências dos EUA.O segundo grupo teria se estabelecido ali entre sete mil e quatro mil e quinhentos anos atrás, já com o lago recomposto.Esses seriam os "tenerianos", um povo mais baixo e magro, que vivia da pesca, da caça e da pecuária.Ambos deixaram muitos artefatos, como ferramentas, anzóis, cerâmicas e jóias. "À primeira vista, é difícil imaginar dois grupos biologicamente mais distintos de pessoas enterrando seus mortos no mesmo lugar", disse o bioarqueólogo Chris Stojanowski, da Universidade do Estado do Arizona, que atua em Gobero.

O Saara é há dezenas de milhares de anos o maior deserto do mundo. Mas há cerca de 12 mil anos uma mudança na órbita da Terra fez com que durante um período as chuvas de monções ocorressem mais ao norte.

Os cientistas recolheram esmalte dentário, pólen, ossos, amostras de terra e ferramentas para estabelecer as datações.

"A data de Gobero, quando combinada com sítios existentes na África do Norte, indica que estamos apenas começando a entender a complexa história da evolução biossocial diante das severas flutuações climáticas no Saara", escreveram os pesquisadores no artigo.

Reuters Limited - 14 de agosto de 2008.

Arqueologia - Encontradas ruínas de templo pagão do século II

O muro pertence à igreja cujas bases foram construídas sobre as ruínas do templo. Na foto pode se observar também uma pegada que ficou marcada no piso.

Arqueólogos descobriram um templo romano do século II depois de Cristo em Zipori, na Baixa Galiléia, que prova o caráter multicultural dessa cidade, informaram nesta segunda-feira os pesquisadores.

Os restos do templo estavam sob as ruínas de uma igreja bizantina e demonstram a convivência das comunidades judaica, pagã e cristã na cidade israelense de Zipori."É o único templo que encontramos por enquanto em Zipori e foi uma surpresa porque, sendo esta uma cidade judaica situada em uma região judaica, esperávamos encontrar sinagogas, mas não achamos ainda nenhuma dentro da cidade e sim este templo romano", explicou Zeev Weis, professor do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica.

Os arqueólogos tinham encontrado até agora em Zipori alguns edifícios e casas romanas, mas a grande maioria pertencia à majoritária população judaica.Segundo Weis, a descoberta é surpreendente porque demonstra que a comunidade romana nesta cidade era muito forte.
"O templo e seu pátio ocupam uma área muito grande no centro da cidade, é um espaço dominante", explica o pesquisador, que admite que a comunidade romana de Zipori poderia ser maior do que se estimava até agora.

"Esperamos em um futuro ter mais informação sobre o culto, encontrar alguma estátua ou algum resto que nos permita averiguar quais deuses veneravam aqui", acrescenta.Nesta mesma expedição, foram desenterradas moedas romanas da época de Antonio Pio, que mostram um templo destinado aos deuses Júpiter e Fortuna (Zeus e Tiche na mitologia grega).

Segundo a agência AFP, fora encontradas também moedas com a efígie da Imperatriz Júlia Domna - esposa do Imperador Lúcio Sétimo Severo - nas ruínas do templo.A cidade de Zipori fica em um monte na Baixa Galiléia, na metade de caminho entre o Mediterrâneo e o Mar da Galiléia.

Fonte: Agência EFE - 11 de agosto de 2008, 13h01 Atualizada às 19h36



Grécia: quatro coroas de ouro são achadas em tumba

Quatro coronas de ouro foram encontradas em uma tumba helenística descoberta durante obras no metrô de Salônica, norte da Grécia, anunciou o ministério grego da Cultura.

Duas coroas estavam na altura da cabeça e as outras duas aos pés de um esqueleto feminino que repousava no interior da tumba, explicou o ministério.Os restos humanos também estavam ornados com brincos de ouro e pedras semipreciosas com a forma de uma cabeça de cão. O caixão, de madeira, também tinha um espelho de cobre, duas caixas de cerâmica e cinco pequenos vasas, e data da época helenístico, entre os séculos IV e I antes da era cristã.

Fonte: AFP - 6 de junho de 2008, 12h25 Atualizada às 15h22

Estudo descobre ruínas de metrópole medieval

O complexo urbano no entorno do templo de Angkor Vat no Cambridge foi três vezes maior que o que se suspeitava, de acordo com uma equipe internacional de arqueólogos que rastreou o subsolo com a ajuda de radares da Nasa, revela um estudo publicado nesta segunda-feira nos Estados Unidos.A cidade construída ao redor de Angkor, que foi a capital do império Khmer entre os séculos IX e XVI, se estendia sobre quase 1.000 km2. Esta superfície seria, portanto, a maior mostra de desenvolvimento urbano da era pré-industrial, superando de longe cidades maias, como a de Tkal na Guatemala.Este complexo tinha o potencial de alimentar uma população de 500 mil pessoas, de acordo com autores deste estudo divulgado na Academia Nacional americana de Ciência.

Os arqueólogos tentaram estabelecer delimitações de urbanização no entorno de Angkor, na província de Siel Reap, a partir dos anos 50. Mas estas pesquisas se tornaram mais difíceis devido às construções residenciais e à exploração agrícola moderna.Em 2000, este grupo de arqueólogos cambojanos, franceses e australianos, pediu à Nasa, a agência espacial americana, ajuda neste projeto de seus radares dos satélites em órbita.

As imagens fornecidas, que são capazes de penetrar no subsolo, permitiram encontrar os traços dos antigos caminhos, de canais e de bacias.Ao se combinarem as imagens do radar com as de aviões e as informações topográficas, estes arqueólogos puderam determinar a localização de milhares de bacias hidrográficas, além de 74 templos.

Eles concluíram que a rede de canais de irrigação permitiria suprir as necessidades dos cultivos de arroz que se estendiam de 20 a 25 km ao norte e ao sul de Angkor até o lago Tonle Sap.Estes trabalhos também permitiram encontrar os indícios que apontam para a confirmação da teoria segundo a qual um desastre ambiental teria provocado o afundamento da civilização Kmere no 14° século.A superpopulação, o desmatamento e a erosão do solo cultivável combinados com as inundações poderiam ter tido conseqüências catastróficas para esta população medieval, explicaram os autores deste estudo.

AFP - 13 de agosto de 2007, 17h54 Atualizada às 19h51

Cientistas encontram casal abraçado há 8 mil anos

Uma escavação arqueológica na província de Diyarbakir, no sudeste da Turquia, levou à descoberta dos restos dos "namorados mais antigos do mundo", um homem e uma mulher que foram enterrados abraçados há mais de 8 mil anos, segundo a edição de hoje do jornal Radikal.Os arqueólogos encontraram 22 tumbas do período Neolítico, entre as quais se destacam os restos do casal, dois corpos abraçados e com as pernas entrelaçadas, que datam de 6.100 a.C.

Com esta descoberta, os arqueólogos turcos superaram o recorde estabelecido no ano passado por uma equipe italiana que encontrou, na cidade de Verona (norte da Itália), os restos de um casal que viveu há cerca de 7 mil anos.Os esqueletos encontrados na Turquia correspondem a um homem de aproximadamente 30 anos e a uma mulher de 20. "Foram enterrados juntos, e acreditamos que esta foi a forma como morreram", explicou o diretor da escavação e membro do departamento de arqueologia da Universidade Hacettepe de Ancara, Halil Tekin."

Ainda temos que investigar as causas da morte, se foi por doença ou até mesmo por causa de um crime passional", acrescentou. A equipe realizará os testes necessários para constatar a idade do casal e esclarecer a causa da morte.Tekin acrescentou que a forma como os corpos foram encontrados - abraçados e com as pernas entrelaçadas - não deixa dúvidas de que eles eram marido e mulher, ou simplesmente amantes.

Os arqueólogos turcos se mostraram orgulhosos de terem superado os pesquisadores italianos "por mil anos", a diferença que há entre o casal de Hakemi Use - nome do local onde foram encontrados - e o de Verona, coincidentemente a cidade do romance de Romeu e Julieta.

Agência EFE - 8 de outubro de 2007

06 agosto, 2008

Encontrados restos de um lutador que viveu em 1.800 A.C.

Os restos de um lutador do povo Canaanite - que viveu, aproximadamente, no ano de 1.800 A.C. - foram encontrados nesta segunda-feira em uma escavação no sítio arqueológico ao sul da cidade de Sidon, no Líbano. As informações são da agência AP.

Estudantes de arqueólogia da Inglaterra e da Alemanha trabalham no local. As escavações são financiadas pelo British Museum e por organizações libanesas.
AP - Segunda, 4 de agosto de 2008

Esculturas de 5 mil anos são achadas na Inglaterra

Centenas de esculturas pré-históricas foram descobertas por arqueólogos na região de Northumberland e Durham, no norte da Inglaterra.

Segundo os especialistas do English Heritage, o órgão de preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Inglaterra, as esculturas datam do período Neolítico e foram feitas há aproximadamente 5 mil anos.
As rochas têm formas diversas, como círculos, anéis interligados e formatos abstratos. Uma das que mais surpreenderam a equipe de pesquisadores foi um painel encontrado a 300 metros de altura em Barningham Moor, no condado de Durham.
De acordo com Kate Wilson, especialistas em monumentos antigos do English Heritage, os arqueólogos ainda não decifraram o significado das esculturas encontradas pela equipe.
"Não sabemos quase nada dessa arte e essa é a parte estimulante da descoberta. Precisamos estabelecer agora como essa arte está relacionada com outros registros pré-históricos nessa região", disse.

Projeto
A descoberta faz parte de um projeto de pesquisa de quatro anos realizado pelo governo em parceria com mais de cem voluntários treinados pelos especialistas.
Apesar de as esculturas não estarem dentro de cavernas, muitas delas são praticamente inacessíveis. Richard Stroud, um dos voluntários que ajudou a descobrir o painel em Barningham, afirmou que a equipe ficou surpreendida com o que viu. "Esperávamos descobrir apenas uma ou duas esculturas simples. No entanto, encontramos esse painel de tirar o fôlego, provavelmente um dos mais complexos já encontrados na região", disse.

"Há um grande intervalo de tempo e de civilizações entre nós e a sociedade que fez esses entalhos. Talvez jamais iremos entender o significado dessa arte", afirmou.Arqueólogos descobriram milhares de exemplos de esculturas pré-históricas em rochas e pedras na região norte da Inglaterra nos últimos anos.

A equipe do English Heritage quer realizar projetos similares em outros condados ingleses, como o de Cumbria, no noroeste da Inglaterra. "Temos certeza que ainda há muito a ser descoberto em Cumbria", afirmou Wilson.
Fonte: BBC Brasil

13 julho, 2008

Encontrada escultura feminina do século II

Arqueologia - Arqueólogos examinam uma escultura feminina recentemente encontrada no sítio arqueológico da cidade romana de Antique Skupi, localizado a noroeste da capital da Macedônia, Skopje.


A escultura, datada do século II, segundo os especialistas, foi encontrada em uma banheira romana e nomeada "A tímida deusa Vênus" (Pudentis), informa a agência AP. A peça está em bom estado de conservação.

Fonte: Redação Terra (Noticias.terra.com.br/ciencia)
Quarta, 9 de julho de 2008, 12h31

14 junho, 2008

Estudo mostra pré-história similar a Jurassic Park

Como na série cinematográfica Jurassic Park, os dinossauros conviveram durante milhões de anos com outros animais antes de se transformarem nos donos do planeta, segundo revelou um estudo divulgado hoje pela revista Science.
O estudo realizado por paleontólogos da Universidade da Califórnia, pelo Museu Nacional de História Natural e pelo Museu Field, joga por terra a teoria de que a ascensão dos dinossauros foi violenta.
Segundo os cientistas, fósseis descobertos em uma pedreira do norte do Estado americano do Novo México demonstram pela primeira vez a convivência entre os enormes animais já extintos, muitos dos quais pareciam mais frágeis, e acabaram sobrevivendo.
Os dinossauros e muitos outros animais, incluindo mamíferos, répteis e anfíbios, surgiram no período Triásico, há entre 235 e 200 milhões de anos.
No entanto, foi apenas no período Jurássico, há entre 200 e 120 milhões de anos, que os dinossauros estabeleceram seu domínio sobre o planeta.
"Até agora, os paleontólogos pensavam que os precursores haviam desaparecido antes do surgimento dos dinossauros", afirma Kevin Padian, professor de biologia da Universidade da Califórnia.
Outra teoria assinala que a rápida extinção de muitos animais no final do Triásico permitiu que os dinossauros se diversificassem, e se tornassem os habitantes predominantes do planeta.
"Mas agora, as evidências demonstram que é possível que tenham coexistido durante 15 ou 20 milhões de anos, ou mais", acrescentou.
Segundo Randall Irmis e Sterling Nesbitt, autores do estudo, os ossos descobertos no Novo México proporcionam informações anatômicas que revelam a evolução dos precursores dos dinossauros, sua conversão em dinossauros e a diversificação destes animais. Nenhum desses restos é um esqueleto completo.
"A descoberta de restos de precursores dos dinossauros (dinosauromorfos), junto com os de dinossauros, nos ensina o ritmo da mudança. Se houve uma competição entre estes precursores e os dinossauros, esta foi muito prolongada", assinala Irmis.
Na pedreira, Irmis e Nesbitt encontraram 1.300 espécimes fósseis de dinossauros e precursores destes animais, assim como ossos de ancestrais dos atuais crocodilos.
Também havia fósseis de peixes e anfíbios que existiram há entre 220 e 210 milhões de anosp> Além disso, o relatório publicado pela Science indica que os paleontólogos também encontraram restos de carnívoros como o Chindesauro bryansmalli e um parente próximo do Coelophysis.
Ambos os animais eram bípedes, e muito similares ao Velociraptor que aparece em Jurassic Park.
O primeiro precursor de dinossauros encontrado na pedreira foi o "Dromomeron romeri", um parente próximo de outro precedente chamado Lagerpeton, que existiu no Triásico médio, no território que hoje pertence à Argentina.
EFE

Pré-história: tribos atacavam em busca de mulheres

Os antepassados pré-históricos dos homens atacavam para se apoderar das mulheres de povos vizinhos, segundo um estudo da universidade britânica de Durham. Segundo a pesquisa, que será publicada na revista acadêmica Antiquity, os cientistas chegaram a essa conclusão após analisar 34 esqueletos enterrados há cerca de 7 mil anos em uma fossa comum de 3 m de largura em Talheim, sudoeste da Alemanha.

Entre os cadáveres achados, 25 eram de homens e crianças de uma mesma tribo, que se acredita ter sido atacada para se levar as mulheres, já que não havia nenhuma mulher entre os mortos, de acordo com antropólogo Alex Bentley, principal autor da pesquisa. "As mulheres parecem ter sido a razão imediata do ataque", declarou.
A maioria das vítimas morreram por um único golpe na parte esquerda do crânio, o que sugere que elas foram atadas e executadas, possivelmente com um machado de pedra, segundo o estudo. Outras parecem ter sido atingidas por trás, com flechas, como se tentassem fugir.
A fossa foi descoberta na década de 1980, e especialistas alemães já comprovaram à época que as vítimas foram alvo de um ataque premeditado, pelas características de seus ferimentos.
Somente técnicas atuais de laboratório, como a análise de registros isotópicos de estrôncio (um tipo de mteal), carbono e oxigênio nos dentes dos esqueletos, permitiram saber dados vitais sobre a origem geológica e dieta das vítimas, segundo o pesquisador.
Na fossa, havia quatro membros de uma tribo de pastores (duas mulheres e dois homens), uma família de cinco pessoas (um homem, duas mulheres e duas crianças) e os 24 memebros da tribo local, de homens e meninos.
"Nossa análise parece indicar que as mulheres locais eram consideradas especiais e foram deixadas com vida", segundo Bentley. Ele descartou que as mulheres tivessem sido preservadas por motivos humanitários, já que os meninos foram sacrificados.
O estudo foi realizado em conjunto com pesquisadores da University College de Londres, a universidade americana de Wisconsin e uma organização governamental alemã.

Fonte: Terra.com.br

23 maio, 2008

Anti-semitismo

Símbolo usado pelos anti-semitas

Anti-semitismo é a ideologia de aversão cultural, étnica e social aos judeus. O termo foi utilizado pela primeira vez pelo escritor anti-semita Wilhelm Marr, em 1873, surgindo como uma forma de eufemizar a palavra alemã "Judenhass", que significava “ódio aos judeus”. Ao pé da letra, o termo “anti-semita” é errôneo, visto que os árabes também são“semitas”, descendentes de Sem, filho de Noé. No entanto, a palavra se refere unicamente ao povo judeu. Desde o fim do século XI, os judeus eram segregados na Alemanha, embora o anti-semitismo em si tenha surgido a partir da década de 1870. Durante anos, foi criado na Alemanha, no entanto em uma intensidade menor, o sentimento de que os judeus eram os responsáveis pelos males ocorridos no país.
O diplomata, escritor e filósofo francês Arthur de Gobineau, um dos maiores teóricos do racismo, afirmava que os judeus eram inferiores aos arianos, tanto moral quanto fisicamente. Essa ideologia encontrou seu ponto máximo no nazismo. Em seu livro “Mein Kamff”, Adolf Hitler traçou o perfil dos judeus: um povo parasita, incorporado ao organismo de outros povos. Segundo ele, eram um povo explorador, que vivia do trabalho dos outros e da exploração econômica, visando apenas o lucro, nunca o bem da comunidade. A forte e eficiente propaganda nazista fez com que a população alemã tomasse ódio pelos judeus, assim, as pessoas foram convencidas de que eliminá-los era conveniente para a nação. Como consequência de uma ideologia bem trabalhada, todas as tensões sociais eram canalizadas para a questão anti-semita. Em 1933, foi aprovada uma lei que deixava os judeus fora da proteção da legislação. Dessa forma, os mesmos passaram a ser presos de forma legal e confinados em campos de concentração sem nenhum motivo. No fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de 6 milhões de judeus (dois terços da população da Europa) haviam sido mortos.
A propósito do anti-semitismo
A palavra “anti-semitismo” tornou-se logo de uso corrente, encontrando um campo amplo para seu emprego, e, amparando-se no culto da ciência, que a tornou muito popular a partir dos últimos vinte anos do século XIX, todos os postulados “científicos” do termo foram avidamente aceitos por determinados segmentos da ideologia nacionalista patriótica.

Marr embasava o termo “anti-semitismo” com uma identidade racial, asseverando que o caráter “inato” dos judeus ou semitas – considerados descendentes de Shem, um dos três filhos de Noah mencionados no livro bíblico da Gênese – era absolutamente oposto ao caráter “nobre e puro” dos arianos (Marr, ao dizer “aria-nos”, tinha em mente os teutões e nórdicos, tais como alemães, austríacos, escandinavos, holandeses, ingleses, franceses etc.). Ele considerava, magnanimamente, que os judeus não podiam deixar de ser o que eram; isto é, homens “inferiores moral e fisicamente”, porque a natureza assim havia predeterminado.

Essa mistura de contra-sensos pseudocientíficos era ministrada pelos raivosos racistas aos ignorantes e apáticos e só fazia divertir ou irritar os eminentes homens de ciência daquela época.
De certa forma, o arianismo começou assim: no ano de 1808, Friedrich von Schlegel, o célebre estudioso do sânscrito (católico casado com a filha de Moisés Mendelssohn, Dorothea), observou, no decurso de suas pesquisas filológicas, certa proximidade entre o persa e o sânscrito, de um lado, e as línguas teutônicas (alemão, sueco, holandês etc.), de outro. A partir dessas observações inteiramente acidentais e de outras realizadas por vários filólogos, elaborou de uma língua ancestral comum, o “ariano”, supostamente falada por um povo chamado “ariano”, que habitava a terra de “Ariana”, uma hipótese para a origem dessas línguas “aparentadas”.
Nem é preciso dizer que o “ariano” era uma língua perdida e esquecida; os próprios “arianos” haviam desaparecido no bojo da história e a terra de “Ariana” era mencionada superficialmente no Zend Avesta, livro das escrituras semíticas do zoroastrianismo persa, escrito por volta do ano de 1000 a.E.C.Nãohá, entretanto, qualquer indicação de onde estaria situada.

Foi nesses hipotéticos arianos, habitantes de um país hipotético chamado Ariana, que falavam uma língua hipotética, o ariano, que os anti-semitas do século XIX, entre os quais estavam professores, jornalistas e demagogos alemães, foram buscar as fontes de sua nobreza ancestral e de seu orgulho de fazer parte de uma “raça superior” da Humanidade. Não resta dúvida que o sentimento nacional, que se seguiu ao triunfo espetacular dos alemães sobre os franceses, na guerra franco-prussiana de 1870, estimulou enormemente o desenvolvimento do princípio “científico” anti-semita do arianismo; fê-lo parecer convincente. Ao mesmo tempo, buscando inspiração na mesma fonte literária – o Zend Avesta – os anti-semitas do século XIX fizeram uma analogia entre o princípio zoroastriano da dualidade e da oposição mortal que se sabe existir entre a deidade da luz (Ormuz) e a idade da treva (Arimã) e a oposição, igualmente mortal, que se supunha existir entre a raça ariana (a “raça superior” alemã) e a raça semítica (a “raça escrava” judia). A conclusão a que chegaram era a seguinte: assim como o deus persa da luz estava empenhado em eterna batalha com o deus das trevas, até que este último fosse derrotado – assim devia a raça ariana encetar um combate mortal contra o judaísmo até destruí-lo.
Quanto à “pureza racial”, reivindicada pelos apologistas “arianos” em favor do povo alemão, o eminente antropólogo francês Pittard fez a seguinte observação, no início do século: “Há tanta diferença entre um pomeraniano da costa do Báltico e um bávaro do maciço do Amer, quanto a que existe entreum cavalo e uma zebra.” (Polskraiser: apud Clemesha1998, 68).

Nos anos intermediários entre a guerra franco-prussiana e a unificação de todos os estados alemães, em 1871, e a tomada do poder por Adolf Hitler, em 1932, havia na Alemanha um número relativamente grande de judeus, que prosperavam, a esse tempo. Sob a orientação oportunística do Príncipe Bismarck, que compreendia a reação e o liberalismo a um só tempo, os judeus conseguiram a emancipação civil e total e, portanto, oportunidades iguais sob o ponto de vista jurídico em qualquer ramo de atividade. Está fora de dúvida que, durante as três décadas finais do século XIX, a grande expansão comercial e industrial da Alemanha deu a muitos judeus uma oportunidade sem par. Muitos enriqueceram e se integraram aos pilares da sociedade, exercendo atividades tais como as de fabricante, negociante, banqueiro, médico, engenheiro, advogado, além de práticas culturais, como a música e a literatura.

Não será necessário insistir em que o elemento de ressentimento permeou o pensamento de muitos anti-semitas com relação a seus compatriotas alemães de origem judaica. Desde quando os Cavaleiros da Cruz, ao final do século XI, se haviam expressado aos gritos de “Hab hab!” (“Dê, dê!”), os inimigos dos judeus em todos os países da Europa, nos séculos que se seguiram, passaram a encobrir sua cupidez pelo dinheiro e pelas posses dos judeus com a unção de um sentimento piedoso. Essa combinação de sentimentos foi, sem dúvida, a centelha que provocou a petição popular assinada por 300.000 cidadãos prussianos, em 1880 – a que se seguiram dois dias de violentos debates no Parlamento – requerendo do Marechal de Ferro (Bismarck) que excluísse os judeus de todas as escolas e universidades e que lhes proibisse ocupar qualquer cargo público. “A mistura do elemento semítico ao elemento germânico de nossa população demonstrou ser um fracasso. Temos que enfrentar agora a perda de nossa superioridade pela ascendência do judaísmo, cuja influência sempre crescente provém de características raciais que a nação alemã não pode e não deve tolerar, a não ser que deseje destruir a si mesma”.
Quão diferente era o tratamento que dera Robespierre, durante a Revolução Francesa, aos propalados defeitos “judaicos” (como se outros povos também não tivessem as mesmas deficiências!). Falando aos delegados da Assembléia Nacional para solicitar que incluíssem os judeus nas provisões humanísticas dos Direitos do Homem, disse ele: “Os defeitos dos judeus provêm do rebaixamento a que vós (cristãos) os haveis submetido. Se elevarmos sua condição, rapidamente farão jus a ela.” (NYISZLI: 1980, 189)
Segundo um dito antigo, “os judeus eram amaldiçoados por fazer e eram amaldiçoados por não fazer”. O reverendo Dr. Stöcker, pregador de Potsdam, favorito do Kaiser, declarou: “Os judeus são, simultaneamente, os pioneiros do capitalismo e do socialismo revolucionário, trabalhando assim pelos dois lados para destruir a atual ordem social e política.” (SARTRE: 1954, 76).
Os anti-semitas alemães, evidenciando sempre forte inclinação nacional para a metafísica, para a obtenção de conclusões “científicas” e para a elaboração de formulações precisas a partir delas, desenvolveram seu ódio aos judeus obedecendo a um sistema científico irrefutável – assim pensavam eles. Observa-se, freqüentemente, que sociedades ou grupos de homens, quando querem fazer parecer aos outros que suas ações são mais corretas e justificadas do que na realidade, tratam de adorná-las com racionalizações altissonantes de natureza intelectual, moral e legal, para assim disfarçar-lhes a má índole. Como observou, porém, o célebre jornalista e filósofo satírico judeu, Max Nordau, (1849-1923), ao comentar acerbamente as proezas “intelectuais” dos anti-semitas: “Os pretextos variam, mas o ódio continua.” (CLEMESHA 1998, 145)
O ódio dos anti-semitas na Alemanha e na Áustria perdurou, mas, a partir dos meados do século XIX, surgiu um pretexto novo, desta vez fornecido por intelectuais e professores – etnólogos, biólogos, psicólogos e historiadores – visando a supressão total (ver a plataforma do Reformista Lutero) e mesmo o extermínio físico dos judeus. Essa inovação foi liderada por dois homens: Conde Joseph Arthur de Gobineau (1816-1882) e Houston Stewart Chamberlain (1885-1927).Gobineau, diplomata e orientalista francês, que publicou um Ensaio sobre a Desigualdade das Raças Humanas, em quatro volumes (Paris, 1853-1855), tomou como base de sua tese a visão dos judeus (semitas) como “uma raça mista” e que “tudo de grandioso, nobre e frutificador nas obras do homem [...] pertence a uma família (a ariana), cujos diferentes ramos reinam em todos os países civilizados do globo” (GOBINEAU apud CLEMESHA 1998, 93).

O outro mentor intelectual dos anti-semitas alemães, Chamberlain, era genro do compositor Richard Wagner que, por sua vez, havia atacado impiedosamente os judeus no seu ensaio nada musical “O Judaísmo na Música”. Chamberlain foi autor da obra mais agressiva, talvez, já publicada a respeito de judeus, fazendo-a editar sob o título acadêmico e totalmente enganador de Os Fundamentos do Século XIX (1899). A obra mereceu a aprovação entusiástica do Kaiser Guilherme II e dela foram vendidos quase um milhão de exemplares somente em língua alemã. Uma amostra típica do que o livro contém é a seguinte reflexão:
“... a raça judaica está completamente abastardada, e sua existência é um crime contra as sagradas leis da vida...” (CHARBERLAIN apud CORREA NETO: 1980, 79)
Por falar em “sagradas leis da vida”, outro inimigo do povo judeu, igualmente influente e devoto, o reverendo Dr. Adolf Stöcker, pregador da corte de Guilherme I e líder do bloco anti-semita do Reichstag, também entrou na arena como defensor da “santidade”. Mas a santidade pela qual lutava era a chamada pureza do sangue alemão. Dizia ele: “... o judaísmo moderno é uma gota de sangue estrangeiro no corpo alemão – e tem poder destrutivo” (NYISZLI: 1980, 49) Foi Stöcker, fundador do Partido Socialista Cristão, em 1878, quem cunhou, naquela ocasião, a legenda que se tornou o grito de guerra dos nazistas contra os judeus, meio século depois: “Deutschland – erwache!” (Alemanha, acorda!). Os socialistas cristãos também adotaram em seu programa político uma plataforma central que exigia uma Alemanha que fosse Judenrein (purificada de judeus).

Curiosamente, nessa preocupação com a pureza racial do povo alemão, Chamberlain e Stöcker, como também os outros líderes intelectuais do movimento anti-semita alemão, cada vez mais florescente – Wilhelm Marr, Hermann Ahlwardt, Heinrich van Treitschke, Conde Wajter Puckler-Muskau e o filósofo Eugen Dühring – tinham idéias “cientificas” análogas à limpeza, à pureza do sangue (que era a obsessão dos racistas espanhóis durante o século XIV).O problema judaico não era mais da alçada da religião cristã. Os anti-semitas intelectuais, tal como os arruaceiros das cervejarias, opunham-se violentamente à conversão dos judeus ao cristianismo, devido à “mácula” que o “sangue judaico” traria à corrente puríssima de sangue germânico, através dos casamentos mistos.

Do alto de sua elevada eminência, o filósofo Dühring dava ao povo alemão o seguinte conselho genocida, quanto ao trato com os judeus: “não deveriam ficar inibidos por qualquer escrúpulo, e sim usar os mais modernos métodos de desinfecção” (DÜRHRING apud SARTRE 1954, 104). Dessa “filosofia de desinfecção” às câmaras de gás nazistas, onde foram asfixiados seis milhões de judeus em 1940-45, a distância era de poucos passos e de apenas sessenta anos.

Fonte: Revista Morashá - Edição 38

17 maio, 2008

O Brasil antes do Brasil

Fotos: Marcelo Zocchio
Os sítios arqueológicos
Quando os europeus nem pensavam em aportar por aqui, nosso território já era ocupado por diversas sociedades organizadas que pouco a pouco se tornam mais conhecidas

A velha história dos índios não civilizados que habitavam nosso território quando os portugueses aqui chegaram está dando lugar a outra sobre importantes civilizações. Pesquisas recentes mostram que o país tem um passado bem mais rico do que se pensava. Em vários sítios arqueológicos são estudados vestígios de antigos povos que remontam um cenário incrível. De norte a sul, nossas terras abrigavam grupos organizados em classes e que ocupavam espaços planejados.


Pesquisas arqueológicas feitas na Amazônia descrevem o auge de sociedades formadas por indígenas de diversas etnias que se tornaram auto-suficientes e criaram pólos de agricultura e cerâmica entre 1000 e 2000 A.P. antes do presente, datação usada por arqueólogos para se referir à pré-história que, nas Américas, segue divisão diferente do restante do mundo.O homem se adaptava de modo sofisticado ao ambiente: usava a terra sem destruí-la e aumentava a biodiversidade, afirma o estudioso do alto Xingu Michael Heckenberger, da Universidade da Flórida. Segundo ele, essas civilizações eram diferentes das de outras partes do mundo, mas nem por isso mais simples.Hoje também se sabe mais sobre os sambaquis, comuns no litoral. Muito além de amontoados de conchas e restos mortais como são descritos , esses monumentos eram edificados para servir de moradia. Cai por terra, assim, a idéia de que nossos ancestrais faziam parte de tribos distribuídas a esmo pela f loresta. Entender como eram as sociedades antigas dá ao aluno a noção de identidade e cultura e faz com que ele reconheça que nossa história é bem anterior à ocupação européia, diz Ana Bergamin, professora e autora de livros didáticos, de São Paulo. Nesse mesmo sentido, estudos na área de Paleontologia revelam que há 10 mil anos habitavam áreas de todo o país animais de grande porte, como a preguiça-gigante. Com eles conviviam antepassados humanos, como Luzia. A mulher, cuja face com traços africanos foi reconstituída há dez anos, por meio do crânio, passou a ocupar as páginas dos livros de História, mostrando que não somos descendentes apenas de asiáticos. A humanidade evoluiu e sobreviveu a mudanças geológicas, criou seu espaço e gerou riquezas culturais e ecológicas, como a biodiversidade de hoje.Assim como a pluralidade de plantas e a fértil terra preta da Amazônia não são obras divinas, o modo de vida dos ribeirinhos amazonenses não é uma invenção atual. Ambos são herança de uma ocupação humana milenar. Acreditase que diferentes partes da região, de Rondônia ao Pará, incluindo o baixo rio Negro, próximo a Manaus, já eram ocupadas 9 mil anos atrás. Esses povos sobreviviam da pesca, da coleta e da caça, provavelmente num contexto climático semelhante ao atual uma vez que um reaquecimento global fez aumentar as chuvas e o nível dos rios, causando cheias há 18 mil anos.

possível que o processo de domesticação de inúmeras plantas hoje consumidas, como mandioca e pupunha, tenha sido iniciado pelos primeiros índios da região. Para chegar a essa conclusão sobre as formas antigas de cultivo, os estudiosos se baseiam também nas práticas atuais. As hortas presentes nos quintais das casas, por exemplo, já existiam ao redor das aldeias há cerca de mil anos. Para formá-las, os homens derrubavam somente matas secundárias, com árvores menores, já que dispunham apenas de machados de pedra, e não de metal, para abrir clareiras. Outra importante contribuição do homem pré-histórico é a terra preta, que não existia originalmente na Amazônia. Ela surgiu graças ao acúmulo contínuo de restos orgânicos há 4 mil anos.



Organização social
Os rastros de aldeias sedentárias, formadas por centenas de pessoas, datam de 3 mil anos atrás. O tamanho e a duração dos sítios arqueológicos ref letem mudanças nos padrões de ocupação do território, principalmente no que se refere à organização social. É preciso desmitificar a idéia de que a Amazônia era uma coisa só, diz o arqueólogo Eduardo Góes Neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP). Entre os anos 400 e 1300, 40 mil habitantes ocuparam quase toda a ilha de Marajó, morando em casas de chão batido construídas sobre palafitas de terra, que costumavam ser maiores nas famílias mais abastadas. A constatação de que a figura da mulher era freqüentemente representada em divindades e peças como urnas funerárias leva os pesquisadores a crer que a sociedade tenha sido matrilinear, ou seja, de descendência materna. Isso não impede que homens tenham sido chefes, diz Denise Pahl Schaan, presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira.Enquanto o homem pescava, a mulher cuidava da aldeia, da roça e da produção de cerâmica (veja o infográfico abaixo). Estudos demonstram que as peças mais adornadas, como tangas destinadas a adolescentes, foram produzidas por pessoas com maior poder econômico. Elas foram encontradas somente em locais de cerimônias e moradias da elite, conta Denise, referência em pesquisa sobre Marajó. Nos séculos 16 e 17, europeus navegaram pelo rio Amazonas e descreveram aldeias com milhares de pessoas. Em várias delas, na Amazônia central, construíam-se montículos (espécie de palafita feita de terra preta e cacos de cerâmica). As depressões de relevo ali encontradas são indícios de que eles serviam tanto para proteger casas contra alagamentos como para demonstrar poder, já que tinham tamanhos variados. Acredita-se que havia mão-de-obra específica, com divisão de tarefas, a serviço de alguém, diz o arqueólogo Eduardo Neves, que pesquisa a região. Embora os sepultamentos não sejam comuns nos montículos, restos funerários de um deles remetem à existência de uma elite. Havia chefes supremos, mas não reis nem Estados.A terra preta hoje se mistura a centenas de cacos de cerâmica cujas variadas técnicas de produção revelam a presença simultânea de diferentes culturas. Isso pode comprovar também a ocorrência de conf litos entre aldeias, causados pela chegada de outros povos, diz Neves.Esta informação se relaciona à anterior: áreas ocupadas no século 9 guardam sinais de valas artificiais com estacas, aparentemente usadas para defesa. Embora instabilidades políticas tenham gerado episódios de ocupação e o abandono de assentamentos, foram os europeus que exterminaram os índios em ataques e por meio da escravidão e da transmissão de doenças. Com isso, os sobreviventes foram para o interior. Em áreas próximas a rios densamente ocupadas na época hoje vivem caboclos que cultivam a terra dos sítios arqueológicos e pisam, diariamente, sobre as cerâmicas feitas pelos antepassados.
Sábias ocupaçõesNo alto Xingu, arqueólogos e antropólogos contam com a ajuda dos índios kuikurus para mapear o espaço ocupado por seus ancestrais. Aldeias circulares, cercadas por valas artificiais e conectadas por estradas, formam uma estrutura que remete a uma civilização de 1,1 mil anos atrás.
A aldeia atual, em forma de anel, foi um dia um conjunto de oito a 12 aldeias cerca de dez vezes maior, como mostra o infográfico acima. "Esse povo, formado por grupos independentes integrados em uma nação, como os do atual Xingu, tinhanoções sofisticadas de Matemática e Engenharia", explica o arqueólogo americano Michael Heckenberger.



Essa antiga sociedade xinguana se caracterizava pelo vasto conhecimento de cartografia e astronomia. Assim como os europeus desenvolveram tecnologias inovadoras utilizando o ferro e o bronze, os nativos americanos incorporaram a cosmologia, o estudo da origem e evolução do universo. Exatamente como no império inca de Cuzco, o maior das Américas, afirma o pesquisador. Os índios do Xingu, porém, constituíram uma paisagem lateral contrária aos monumentos verticais típicos das civilizações clássicas cercada de muito verde. "Eles não desmatavam grandes áreas contíguas porque acreditavam ter parentesco com a floresta", conta Heckenberger. "Até hoje os kuikurus se dizem descendentes de árvores." As áreas abertas, enfim, eram exclusivas para os assentamentos e o cultivo de roças de mandioca e árvores frutíferas.

Bem longe dali, entre 10 mil e mil anos atrás, os sambaquis (do tupi-guarani tampa, marisco, e ki, amontoado) eram erguidos por comunidades litorâneas também para demarcar território. Mas havia outras funções para essas pirâmides de areia e conchas. "Construídos em tempos diferentes por comunidades diversas, elas podiam servir de base para moradias ou cemitério", conta Flávio Calippo, arqueólogo subaquático do MAE-USP. No sambaqui Jabuticabeira 2, de Jaguaruna, a 157 quilômetros de Florianópolis, há 40 mil corpos.
"Pela localização e pela altura, os espaços também eram construídos para facilitar o controle do território e a obtenção de alimentos por meio da observação a distância", explica Judith Steinbach, do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville, também em Santa Catarina. Já foram encontrados aproximadamente mil no país, incluindo os f luviais, constituídos por acúmulos de moluscos terrestres, como no Vale do Ribeira, em São Paulo. "Outros podem estar encobertos por restingas ou submersos por causa de variações climáticas", afirma Calippo.

Segundo o estudioso, oito sambaquis nessas condições estão sendo pesquisados na ilha do Cardoso, no litoral paulista. Espalhados sobre os monumentos, restos de animais marinhos indicam que os sambaquieiros dispunham de embarcações e variados artefatos de pesca. E ossos de tórax avantajados comprovam a existênciade ótimos nadadores nesse povo. Com aescassez de comida, erguiam-se novos sambaquis em outras áreas (ou ocupava-seum abandonado). Provavelmente a cultura dos tampakis foi suplantada pelospróprios tupis-guaranis, que introduzirama horticultura na região.

Terra de gigantesHá 11 mil anos, em áreas formadas por vastos cerrados e sob um clima frio e seco, os primeiros grupos de homens do país tiveram o privilégio (ou não) de conviver com animais de grande porte hoje extintos, como a preguiça-gigante. Surgido na América do Sul há 30 milhões de anos e pertencente à família dos tatus e dos tamanduás, o animal evoluiu em mais de 500 tipos e ocupou todo o continente americano. Em 1996, depois de 160 anos de estudos, pôde-se enfim montar um esqueleto completo da preguiça-gigante graças à ossada encontrada na Chapada Diamantina, na Bahia. No local havia também ossos de tigres-dentes-de-sabre e mastodontes.

O achado possibilitou conhecer a anatomia do maior exemplar de nossa megafauna, reconstituir seus músculos e, assim, obter informações sobre sua forma de locomoção. Diferentemente das preguiças atuais, comuns na Amazônia, as gigantes dificilmente subiam em árvores, já que tinham de 3 a 6 metros de comprimento e chegavam a pesar 5 toneladas.

O aquecimento geológico ocorrido há 10 mil anos foi fatal para o mamífero (e todos os gigantes) e fez com que apenas as preguiças arborícolas se salvassem, refugiando-se nas f lorestas tropicais. Por isso, está descartada a hipótese de que a megafauna tenha sido extinta por grupos humanos, que não dispunham de tecnologia para isso. Eles foram os únicos a testemunhar a realidade do que hoje se apresenta em ossos dispersos, diz o palentólogo Cástor Cartelle no filme O Brasil da Pré-história O Mistério do Poço Azul, já exibido na Europa. Isso não quer dizer, porém, que eles não caçassem animais grandes farta fonte de alimento.Essas mudanças no cenário e nas formas de ocupação das terras do país evidenciam uma pré-história diferente do que apontam os europeus para quem as civilizações surgiram apenas depois da escrita. Resultado de anos de estudo, elas merecem ser levadas à sala de aula e compartilhadas com seus alunos.

BIBLIOGRAFIA Arqueologia da Amazônia, Eduardo Góes Neves, 88 págs., Ed. Jorge Zahar, tel. (21) 2108-0808, 22 reais Arte Rupestre na Amazônia, Edithe Pereira, 245 págs., Ed. Unesp, tel. (11) 3242-7171, 170 reais Brasil Rupestre, Marcos Jorge, André Prous e Loredana Ribeiro, 272 págs., Ed. Zencrane Filmes, tel. (41) 3023-3289, 150 reaisO Povo de Luzia, Walter Alves Neves e Luís Beethoven Pilo, 336 págs., Ed. Globo, tel. (11) 6725-8867,32 reais

Fonte: RevistaEscola.abril.com.br

12 abril, 2008

Fezes desbancam chegada do homem à América


Restos fecais humanos foram encontrados em uma caverna no Estado americano do Oregon
Análises de DNA tiradas de fezes humanas fossilizadas indicam que os homens já habitavam a América do Norte há 14 mil anos, afirmaram hoje pesquisadores americanos.

Os restos fecais, encontrados em uma caverna no Estado do Oregon, Estados Unidos, seriam de pelo menos mil anos antes do Povo de Clóvis, cultura pré-histórica que habitou o continente há 13 mil anos.

O estudo, divulgado na revista científica Science, acrescenta que o achado é uma importante evidência de que as pessoas habitavam as américas mais cedo que se acreditava, baseado nas ossadas da Cultura Clóvis descobertas no sudoeste dos EUA.
O arqueólogo Dennis Jenkins, da Universidade do Oregon, liderou a equipe que encontrou os coprólitos (fezes fossilizadas) em cavernas conhecidas como Grutas Paisley, a cerca de 350 km da localidade de Eugene, no lado oriental da Cordilheira das Cascatas.

Os cientistas estabeleceram que os primeiros a chegar na América nessa época foram pessoas provenientes da Ásia, confirmando as teorias sobre a origem asiática dos índios americanos. Existem evidências, acrescentou a investigação, de "dois tipos genéticos de origem asiática, que são únicos nos índios da América do Norte".
"Essa não é apenas a prova de que os índios americanos são descendentes dos primeiros imigrantes do continente, mas mostra também que a imigração começou pelo menos mil anos antes do que se pensava até agora", comentou o professor Eske Willerslev, um dos autores do estudo.
"O continente americano foi o último a ser povoado por seres humanos. Existem muitas teorias contraditórias sobre a Era em que se produziu e sobre a origem dos primeiros imigrantes que chegaram a essas terras", acrescentou Willerslev.

Thomas Gilbert, colega de Willerslev, também acredita que "esta é realmente a primeira prova de que o ser humano esteve presente na América do Norte muito antes do que se imaginava".
Até agora, a teoria mais conhecida sustentava que os habitantes da Sibéria atravessaram a pé no final da Era do Gelo pelo Estreito de Bering, então congelado. Seus descendentes chegaram ao sul, aproveitando a passagem de gelo que há 14 mil anos cobria o norte do continente. De fato, em 1930, foram descobertas ferramentas rudimentares na região de Clovis (Novo México, sudoeste), onde vivia o povoado com o respectivo nome.

Agências internacionais - Redação Terra - 3 de abril de 2008

Itália esclarece morte de filósofo renascentista

Foto Paradoxplace
Assimina Vlahou

Pesquisadores italianos esclareceram o mistério em torno da morte de um conhecido filósofo morto há mais de 500 anos, descobrindo que ele morreu envenenado.

Especialistas das Universidades de Bolonha, Pisa e Lecce examinaram os restos do humanista e filósofo do Renascimento italiano Giovanni Pico della Mirandola, morto há 514 anos, e concluíram que ele foi envenenado com arsênico.
Mirandola é considerado um dos fundadores do humanismo italiano. Influenciado pelo misticismo oriental, Mirandola chegou a ser acusado de heresia. Morreu aos 31 anos, em 1494, em circunstâncias até agora pouco claras.
"Descobrimos que no corpo de Mirandola havia uma quantidade de arsênico superior ao que se encontra normalmente no organismo de uma pessoa. Isso nos levou a confirmar a morte por envenenamento", disse Giorgio Gruppioni, professor de antropologia da Universidade de Bolonha, coordenador da pesquisa, em entrevista à BBC Brasil.

A descoberta foi anunciada esta semana em Florença, cidade onde Mirandola viveu, na corte do poderoso príncipe Lorenzo de Médici.
Alguns documentos históricos já levantavam a hipótese de que ele tenha sido assassinado. Agora, os cientistas confirmam esta versão e, com base no estudo detalhado da documentação existente, apontam até para o executor e o mandante do eventual crime.

"Um homem chegou a confessar ter assassinado Pico della Mirandola. É Cristoforo di Casalmaggiore, seu secretário", afirma o professor da Universidade de Bolonha.
O mandante do crime teria sido o filho de Lorenzo de Médici, Piero, irritado porque Pico della Mirandola se aproximou demais do frei dominicano Girolamo Savonarola, que criticava abertamente o papa Alessandro 6 e pregava a expulsão dos Médici de Florença.

"Os Médici chegaram à conclusão de que, por causa da intimidade com Savonarola, Pico della Mirandola tivesse se tornado adversário político de Piero, filho de seu protetor, e do papa, que chegou a atenuar as acusações de heresia contra o fiósofo", explica Silvano Vinceti, diretor do comitê nacional para a valorização dos bens históricos e ambientais, que participou das pesquisas.
Para realizar os estudos, que duraram 5 meses, os restos mortais de Mirandola foram retirados da igreja de São Marcos em Florença, onde estavam enterrados.Com técnicas modernas, os estudiosos conseguiram descobrir detalhes sobre o aspecto físico do filosofo.

"Usamos a tomografia computadorizada e o carbono 14 para conhecer as características físicas, estatura, sexo, idade, estado de saúde, tipo de alimentação e a presença de eventuais substancias tóxicas", informou o professor Gruppioni.
Eles descobriram que Pico della Mirandola, ao contrário da maioria dos homens de sua época, não era baixo, mas media cerca de 1,85m. Por meio do exame do esqueleto facial está sendo preparando um retrato, que vai ser divulgado no final de fevereiro.

Os pesquisadores examinaram também os restos do poeta Angelo Poliziano, grande amigo e, segundo algumas versões, amante de Pico, que teria morrido de sífilis dois meses depois do filósofo. Os resultados das análises comprovaram, no entanto, que Poliziano também foi envenenado com arsênico.
Além de arsênico, os exames de laboratório detectaram a presença elevada de chumbo, que provavelmente teria sido usado na preparação do veneno, conforme a avaliação do professor Gruppioni.
As conclusões da pesquisa podem levar à correção de livros de história, mas a intenção da equipe è chamar a atenção para o personagem e divulgar a obra do autor de A dignidade do homem, tido como o manifesto do Renascimento.

"Pico della Mirandola è provavelmente o maior filosofo italiano. Mas é conhecido principalmente por sua memória excepcional do que pela enorme produção literária e filosófica que realizou em apenas 30 anos de vida", disse Gruppioni.

BBC Brasil - 8 de fevereiro de 2008

Placa de 700 a.C. traz relato de 'destruição de Sodoma'

Cientistas britânicos conseguiram decifrar as inscrições cuneiformes de um bloco de argila datado de 700 a.C. e descobriram que se trata do testemunho feito por um astrônomo sumério sobre a passagem de um asteróide - que pode ter causado a destruição das cidades de Sodoma a e Gomorra.

Conhecido como "Planisfério", o bloco foi descoberto por Henry Layard em meados do século 19 e permanecia como um mistério para os acadêmicos. O objeto traz a reprodução de anotações feitas pelo astrônomo há milhares de anos.
Utilizando técnicas computadorizadas que simulam a trajetória de objetos celestes e reconstroem o céu observado há milhares de anos, os pesquisadores Alan Bond, da empresa Reaction Engines e Mark Hempsell, da Universidade de Bristol, descobriram que os eventos descritos pelo astrônomo são da noite do dia 29 de junho de 3123 a.C. (calendário juliano).

Segundo os pesquisadores, metade do bloco traz informações sobre a posição dos planetas e das nuvens e a outra metade é uma observação sobre a trajetória do asteróide de mais de um quilômetro de diâmetro.
ImpactoDe acordo com Mark Hempsell, pelo tamanho e pela rota do objeto, é possível que este se tratasse de um asteróide que teria se chocado contra os Alpes austríacos, na região de Köfels, onde há indícios de um deslizamento de terra grande.
O asteróide não deixou cratera que pudesse evidenciar uma explosão. Isso se explica, segundo os especialistas, porque o asteróide teria voado próximo ao chão, deixando um rastro de destruição por conta de ondas supersônicas, e se chocado contra a Terra em um impacto cataclísmico.

Segundo os pesquisadores, o rastro do asteróide teria causado uma bola de fogo com temperaturas de até 400ºC e teria devastado uma área de aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados.
Hempsell afirma que a escala da devastação se assemelha à descrição da destruição de Sodoma e Gomorra, presente no Velho Testamento, e de outras catástrofes mencionadas em mitos antigos.

O pesquisador sugere ainda que a nuvem de fumaça causada pela explosão do asteróide teria atingido o Sinai, algumas regiões do Oriente Médio e o norte do Egito. Hempsell afirma que mais pessoas teriam morrido por conta da fumaça do que pelo impacto da explosão nos Alpes.
Segundo a Bíblia, Sodoma e Gomorra foram destruídas por Deus como resposta a atos imorais praticados nas cidades. Acredita-se que elas eram localizadas onde hoje fica o Mar Morto.
BBC Brasil - 31/março/2008,

Descobertas ferramentas usadas há 35 mil anos

Instrumento cortante é uma das ferramentas aborígenes encontradas

Arqueólogos descobriram ferramentas utilizadas por aborígenes australianos há mais de 35 mil anos, em escavações realizadas em Pibara, no oeste daquele país.

De acordo com os arqueólogos Duncan Wright e Graham Houghton, a descoberta é um avanço importante para conhecer o passado milenar destes povos.


7/abril/2008, 09h14

Praça circular de 5,5 mil anos é encontrada no Peru

Equipe de arqueólogos peruanos e alemães descobriu praça de 5,5 mil anos

Uma equipe de arqueólogos peruanos e alemães descobriu uma praça circular pré-colombiana construída há pelo menos 5,5 mil anos e considerada a mais antiga do Peru no complexo arqueológico de Sechín Bajo, a cerca de 400 km ao norte de Lima, publicou neste domingo a imprensa local.

Os 25 testes de carbono 14 realizados no templo circular demonstram que ele foi construído em torno de 500 anos antes da cidadela de Caral (190 km ao norte de Lima), considerada até agora a mais antiga do Peru, e coincidiu com o início das culturas egípcia e mesopotâmica, publicou o jornal El Comercio.
O templo circular, de 10 m de diâmetro e levantado em pedra e tijolos, pertence ao primeiro dos três períodos construtivos do complexo arqueológico de Sechín Bajo, situado em Casma, no departamento de Áncash.

Ao lado do templo existe outra construção retangular, cuja idade ainda não foi determinada, mas que faz parte da segunda etapa construtiva de Sechín Bajo.A estrutura maior, de 180 m de comprimento e 120 m de largura, pertence à terceira fase construtiva, há cerca de 3,6 mil anos, e compreende vários pátios com reentrâncias.
Nessa monumental estrutura, os arqueólogos encontraram um friso em alto relevo que mostra a figura do "degolador", um personagem mítico que está muito ligado à história antiga do Peru, segundo o El Comercio.
A descoberta revela que as primeiras sociedades que levantaram centros cerimoniais no Peru se desenvolveram na serra de Casma.

Os novos dados jogam por terra outras teorias que indicam que essas civilizações floresceram inicialmente junto à costa e só depois se deslocaram aos vales da serra.

EFE - 24/fev/2008, 15h06


28 março, 2008

Pensamentos de Karl Marx

"Na relação com a mulher, como presa e servidora da luxúria coletiva, expressa-se a infinita degradação na qual o homem existe para si mesmo, pois o segredo desta relação tem sua expressão inequívoca, decisiva, manifesta, desvelada, na relação do homem com a mulher e no modo de conceber a relação imediata, natural e genérica." [ Karl Marx ]

"Os operários não têm pátria. " [ Karl Marx ]

"A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e limitados que um objeto só é nosso quando o possuímos." [ Karl Marx ]

"As idéias dominantes numa época nunca passaram das idéias da classe dominante." [ Karl Marx ]

"A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes." [ Karl Marx ]
"Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites." [ Karl Marx ]

"Do mesmo modo que não podemos julgar um indivíduo pelo que ele pensa de si mesmo, não podemos tampouco julgar estas épocas de revolução pela sua consciência, mas, ao contrário, é necessário explicar esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito existente entre as forças produtivas e as relações de produção." [ Karl Marx ]

"Tudo o que é sólido se desmancha no ar." [ Karl Marx ]

"O trabalhador só se sente a vontade no seu tempo de folga, porque o seu trabalho não é voluntário, é imposto, é trabalho forçado." [ Karl Marx ]

"O povo que subjuga outro, forja suas próprias cadeias." [ Karl Marx ]

"Os homens fazem a sua própria história, mas não o fazem como querem... a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. " [ Karl Marx ]

"Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência." [ Karl Marx ]

"Quanto menos comes, bebes, compras livros, vais ao teatro e ao café, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. «És» menos, mas «tens» mais. Assim, todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça. " [ Karl Marx ]

"O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a." [ Karl Marx ]

"O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções." [ Karl Marx ]

"De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades." [ Karl Marx ]

A taxa de mais-valia dependerá, se todas as outras circunstâncias permanecerem invariáveis, da proporção existente entre a parte da jornada que o operário tem que trabalhar para reproduzir o valor da força de trabalho e o sobretempo ou sobretrabalho realizado para o capitalista.Dependerá, por isso, da proporção em que a jornada de trabalho se prolongue além do tempo durante o qual o operário, com o seu trabalho, se limita a reproduzir o valor de sua força de trabalho ou a repor o seu salário. [ Karl Marx ]

O dinheiro não é apenas um dos objetos da paixão de enriquecer, mas é o próprio objeto dela. Essa paixão é essencialmente auri sacra fames (a maldita ganância do ouro). A paixão de enriquecer, ao contrário da paixão pelas riquezas naturais particulares ou pelos valores de uso tais como o vestuário, as jóias, os rebanhos, etc., só é possível no momento em que a riqueza geral se individualiza numa coisa particular e pode, assim, ser retida sob a forma de uma mercadoria isolada. O dinheiro surge, portanto, como o objeto e a fonte da paixão de enriquecer. No fundo, é o valor de troca como tal e seu crescimento que se convertem em fim em si mesmos. A avareza mantém o tesouro preso, não permitindo ao dinheiro tornar-se meio de circulação, mas a ganância de ouro faz preservar a alma monetária do tesouro em constante tensão como a circulação. [ Karl Marx ]




21 março, 2008

Novo fóssil de símio desafia teoria da evolução

Uma antiga mandíbula de uma espécie de símio descoberta em 2005 seria muito próxima do último ancestral comum dos gorilas, chimpanzés e humanos, indicou um estudo divulgado nesta segunda-feira.

O fóssil, de 10 milhões de anos e completo, com 11 dentes, foi encontrado em depósitos de terreno vulcânico na região de Nakali, no Quênia, por uma equipe de pesquisadores japoneses e quenianos. Os cientistas afirmam que a descoberta preenche uma espécie de "vácuo" no registro de fósseis, e desafia uma das suposições vigentes sobre a evolução dos primatas.
Estudos genéticos sugerem que os humanos e os grandes símios evoluíram separadamente a partir de um ancestral comum, há cerca de 8 milhões de anos, mas os paleontólogos vêm se esforçando para encontrar fósseis dos ancestrais dos grandes símios da África moderna dos últimos 13 milhões de anos.


Entretanto, pesquisadores vêm encontrando muitos fósseis dos grandes símios na Europa e na Ásia nesse período, e também observaram algumas semelhanças entre alguns desses símios e os símios africanos contemporâneos.
Isso levou alguns paleontólogos a levantar a hipótese de que o ancestral comum dos símios e dos humanos havia abandonado a África e evoluído em várias espécies diferentes, e que uma dessas espécies voltou ao continente para se converter no elo perdido entre o homem e os parentes primatas mais próximos.


Contudo, essa nova evidência, além de outras, parece enfraquecer essa teoria. Além dessa nova espécie do Quênia de símio antigo, chamado de Nakalipithecus nakayamai, recentemente foram encontradas evidências de outro antigo símio africano.
Em agosto, uma equipe de paleontólogos japoneses e etíopes anunciou que havia descoberto em 2006 e em 2007 fósseis de dentes com 10 milhões de anos de idade, na região de Afar, na Etiópia.


Os pesquisadores afirmaram que os dentes provavelmente pertenciam a uma espécie de "proto-gorila", que batizaram de Chororapithecus abyssinicus. Antes deste, a última descoberta de um fóssil hominídeo deste período na África ocorreu no Quênia, em 1982.
A evidência de que a África foi habitada por vários ancestrais dos símios na metade e no final do período mioceno - entre 23 milhões a 5 milhões de anos atrás - levanta dúvidas sobre a teoria de que os ancestrais dos símios africanos contemporâneos se extinguiram completamente no continente e foram reintroduzidos na Europa ou na Ásia, indicam os autores das Atas (Proceedings) da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.


Ainda serão necessárias, desta forma, que se realizem mais descobertas de fósseis para desenvolver a árvore genealógica dos símios africanos modernos, "e é provável que estes hominídeos africanos do período mioceno tardio sejam mais ou menos próximos do último ancestral comum dos grandes símios africanos e dos humanos", concluíram os autores.


Fonte: AFP - Segunda, 12 de novembro de 2007

Amuleto que prova presença judia na Áustria é encontrado

O arqueólogo austríaco Nives Doneus apresentou hoje em Viena um amuleto de ouro encontrado em uma pequena cidade de Halbthurn na província austríaca de Burganland. Calcula-se que o objeto seja do terceiro século depois de Cristo (d.C.).

o Instituto de Arqueologia Pré-Histórica da universidade afirmou hoje que o amuleto é a evidência arqueológica mais antiga da presença do povo judeu na Áustria.
Doneus publicou um livro sobre a cronologia da ocupação da região de Zwingendorf, ao nordeste da Áustria, baseado na análise de descobertas realizadas entre 1986 e 1996.
Redação Portal Terra

Restos de hominídeos são descobertos no Pacífico

Cientistas americanos e sul-africanos descobriram restos de pequenos homens que viveram há 15 séculos no arquipélago de Palau (Micronésia), no Pacífico sul, revelou um relatório divulgado hoje pela revista Public Library of Science (PLOS).

Segundo os cientistas da Universidade de Witwatersrand (África do Sul), da Universidade de Rutgers e da Universidade de Duke (EUA), trata-se de hominídeos que compartilham características físicas com espécies de um pequeno homem que viveu na ilha de Flores (Indonésia).

A essa espécie de hominídeo se deu o nome de "Homo floresiensis", do gênero "Australopithecus", mas no jargão científico passou a ser chamado de "Hobbit", um personagem de "O senhor dos Anéis".

Os restos fossilizados e subfossilizados foram descobertos em duas cavernas de duas ilhas rochosas de Palau, que aparentemente foram utilizadas por esses homens como cemitério.
O antropólogo Lee Berger, que liderou o estudo, indicou que o grupo descobriu nas cavernas os esqueletos de indivíduos de um tamanho similar ao dos Hobbit que viveram entre 882 a.C. e 598 d.C.

Na entrada de uma das cavernas também foram encontrados os restos de indivíduos maiores que viveram entre os anos de 928 e 1068, segundo o processo de data de carbono.
As análises preliminares de um pequeno homem de Palau revelam que ele pesava ao redor de 43 quilogramas. No caso de uma mulher, o peso era de 29 quilogramas, afirmaram os cientistas.
Sendo similares aos "Homo floresiensis", sua estatura provavelmente era pouco menos de um metro e compartilham com eles características cranianas que também são únicas do "Homo sapiens", disseram os cientistas.

Os pesquisadores indicaram que a pequena estatura pode ser explicada pela teoria do chamado "nanismo ilhéu", que afirma que em geral os habitantes de ilhas são menores que seus parentes que habitam o continente.

Os cientistas assinalaram que essa teoria é aplicável não só aos seres humanos, mas também aos animais, incluindo mamutes extintos e elefantes de ilhas próximas às costas da Sibéria, Califórnia e até no Mediterrâneo.

Eles observaram ainda que é possível que as ilhas de Palau tenham sido colonizadas por um pequeno grupo de indivíduos há cerca de 3.500 anos.

Esses habitantes, por meio da endogamia (reprodução entre entes da mesma família), e outros fatores ambientais, perpetuaram uma população de baixa estatura que viveu na região até, pelo menos, o ano de 608 d.C..
EFE

03 março, 2008

Recife (a Veneza brasileira) Capital Pernambucana em fotos antigas

Recife na década de 70



Recife na década de 70




Recife na década de 70




Recife na década de 70




HOSPITAL UNIVERSITARIO UFPE
Construção do Hospital Universitario da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Década de 1950.




Avenida Conde da Boa Vista
Av Conde da Boa Vista, Ponte Duarte Coelho e Av Guararapes. Década de 1950. Notar prédio JK / INPS sendo contruído. Atualmente abandonado.




Avenida Conde da Boa Vista
Av Conde da Boa Vista - Década de 1950.



Assembléia e Gymnasio - postal datado - 1904




Usina de gás do campo do Jiquiá - 1930
Usina de gas do Campo do Jiquia, onde os "Zeppelins" eram abastecidos.Decada de 1930.Diario de Pernambuco- Caderno Viver - 16/09/1981




Recife na década de 50 - o castelinho

Aniversário da cidade do Recife e sua irmã, Olinda
Doze de março. Esta é a data oficial dos aniversários das duas cidades mais importantes da história de Pernambuco. Recife comemora 470 anos em 2007, enquanto Olinda apaga velinhas para 472 anos. Muita gente, porém, acha estranho como duas cidades independentes façam aniversário na mesma data, com exatos dois anos de diferença. Como é possível?
Segundo o historiador Leonardo Dantas Silva, a data de 12 de março é uma convenção, baseada no mais antigo documento histórico que menciona a existência de Recife e Olinda. A Carta Foral foi um documento escrito por Duarte Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco, em 1537. O documento foi datado de 12 de março de 1537, e enviado ao rei de Portugal, Dom João III. No texto, Duarte Coelho descreve com precisão e encantamento as duas cidades.
Apenas em 1966, quando foi formada uma comissão para decidir quando deveria ser comemorado o aniversário do Recife, decidiu-se estipular a data da Carta Foral como marco zero do nascimento da cidade. Como os historiadores são unânimes em considerar que Olinda nasceu antes, decidiu-se, por consenso, atribuir a Olinda a mesma data de aniversário, com dois anos de antecedência.

A verdade é que as duas cidades já existiam antes dos respectivos aniversários. “Seria impossível Olinda ter tantos prédios apenas dois anos antes de Duarte Coelho mencioná-la na Carta Foral. No Recife, inclusive, já se falava da existência do Porto naquele ano. Um porto jamais teria sido construído sem que houvesse uma população grande e estável na cidade”, raciocina Dantas Silva.

De qualquer forma, as duas cidades – arquitetonicamente próximas, e de belezas naturais que garantem para ambas postos de destaque no mapa turístico do Brasil – estão de parabéns.
Para comemorar o aniversário, a Globo Nordeste preparou uma série de reportagens especial. Os repórteres Adriana Victor e Augusto César viajaram a Portugal, de forma a rastrear as ligações afetivas e culturais entre os dois povos.

Para acessar as reportagens da série na íntegra, em vídeo e texto, basta acessar esta página todos os dias, até 12 de março. Uma reportagem por dia será publicada abaixo.
Fonte: Pe360graus.globo.com


Abordagem histórica
Recife, a capital pernambucana, tem uma área de 220 km2, sendo 67,43% morros, 23,26% planícies, 9,3% áreas aquáticas, 5,58% de área verde e com 8,6 quilômetros de extensão de praias. Localizada no litoral do Estado, a cidade é cortada pelos rios Capibaribe e Beberibe e integra a Região Metropolitana do Recife que representa a quarta maior aglomeração urbana do Brasil.

Em 2001, sua população atingiu 1.421.947 habitantes e os bairros mais densos eram Brasília Teimosa, Alto José do Pinho e Mangueira. A cidade está didivida em nove zonas eleitorais e a Câmara Municipal é formada por 41 vereadores.
História - Recife surgiu de um pequeno núcleo de pescadores que, por volta de 1548, se estabeleceu na foz dos rios Capibaribe e Beberibe, vizinho à vila de Olinda que era a sede da capitania de Pernambuco. Durante a Invasão Holandesa, tornou-se sede do governo holandês no Brasil.

Em 1710, com os holandeses já expulsos do Nordeste brasileiro, a carta régia elevando a povoação à categoria de vila provocou uma guerra civil com Olinda, uma vez que a aristocracia olindense não aceitava a ascensão do Recife (ver Guerra dos Mascates). Em conseqüência desses conflitos, a Vila de Santo Antônio do Recife só seria instalada oficialmente no ano seguinte (1711).

Foi elevada à categoria de cidade em 1823 e, em 1827, tornou-se capital da província de Pernambuco. Oficialmente, a data de criação do município é 19/11/1709 e o aniversário da cidade é celebrado a 12 de março.

A cidade está dividida em seis Regiões Político-Administrativas (RPA), como demonstra o mapa:
RPA Centro - 11 Bairros
RPA Sul - 08 Bairros
RPA Norte - 18 Bairros
RPA Sudoeste - 16 Bairros
RPA Oeste - 12 Bairros
RPA Noroeste - 29 Bairros

O Início: Quando Duarte Coelho aqui chegou, em 1535, cometeu dois enganos: primeiro, batizou sua capitania de Nova Lusitânia, em homenagem à terra patrícia - o nome não pegou, talvez como um sinal de aquela viria a ser a capitania mais rebelde ao domínio português, e ficou Pernambuco, mesmo, que quer dizer "Mar Furado". Segundo, Duarte Coelho não deu muita importância àquela terra enlameada, cheia de manguezais, foz de não sei quantos rios e riachos. Preferiu, lógico, fincar sua corte na alta e ladeirosa Olinda, de onde se podia apreciar melhor o litoral (e os invasores). Bom, pelo menos aquela barreira de arrecifes proporcionava um bom porto natural, e foi assim que surgiu a povoação dos Arrecifes, em 1548.

Que Venham Os Holandeses: a cultura açucareira na capitania se desenvolvia depressa; riqueza e fausto se instalavam em Olinda. Tanta fartura, óbvio, chamou a atenção dos Holandeses, que nos séculos XVI e XVII se dedicavam a práticas variadas tais como comércio, pirataria e invasões em geral. Foi assim que, em 1630, 70 navios, 7000 homens e 200 canhões desembarcaram na costa pernambucana, na praia de Pau Amarelo, ao norte de Olinda. Como primeira providência para enfraquecer os portugueses, incendiaram Olinda, em 1631. E agora, com a capital destruída, onde se estabelecer? Para os holandeses, certamente nada lembrava mais a terra natal que o povoadozinho do porto, já rebatizado de Recife. Naturalmente, para acomodar a nova corte, mais espaço teria de ser ganho às aguas. E assim drenaram-se rios, aterraram-se mangues, construíram-se pontes. O principal artífice desta transformação chegaria ao Brasil em 1637: o Príncipe Johann Mauritius van Nassau-Siegen (em bom português, Maurício de Nassau), comandante das tropas holandesas e governador-geral da província.
Tomado de amores pelo lugar, lá decidiu construir seu sonho pessoal de cidade: a Cidade Maurícia, projetada pelo arquiteto Pieter Post, irmão do pintor Frans Post. A primeira ponte foi construída em 1643, chamada de (coincidência!?) Ponte Nassau. A ela seguiram-se outras pontes (hoje há 39, só no centro) dois palácios, igrejas e ruas. Só que a idéia da Companhia das Índias Ocidentais não era bem transformar Recife em uma metrópole, e sim conseguir lucros com as plantações de cana-de-açúcar. Daí uma certa irritação com Maurício de Nassau, o que resultou no seu chamado de volta à Holanda, em 1644. Sem Maurício de Nassau, cessaram as festas, os saraus e os empréstimos, e começaram as cobranças de dívidas. Os portugueses acharam, então, que hora de expulsar os invasores.

Viva o Exército Brasileiro!: a resistência dos portugueses à invasão holandesa foi tênue. Do litoral, apenas o porto era protegido por dois fortes (de São Jorge e de São Francisco) e ofereceu certa resistência. Daí os membros da resistência se refugiarem no interior, construindo o Arraial do Bom Jesus. Nesse local, onde hoje fica o sítio da Trindade, no bairro de Casa Amarela, os portugueses resistiram por cinco anos, até o dia 8 de junho de 1635. A partir daí, e durante a presença de Maurício de Nassau, a resistência portuguesa foi pouca ou nula. Com o retorno de Maurício de Nassau à Holanda e a cobrança de dívidas dos senhores de engenho por parte da Companhia das Índias Ocidentais, a elite pernambucana decidiu pegar em armas para expulsar os invasores, em um movimento chamado Insurreição Pernambucana. É interessante o fato de que este movimento não teve apoio formal da Coroa protuguesa, cujos diplomatas na época encontravam-se ocupados tentando vender o Nordeste brasileiro à Holanda! Tendo como líder o senhor de engenho João Fernandes Vieira, o movimento conseguiu importantes vitórias frente aos Holandeses em 1645, no Monte das Tabocas (na cidade de Vitória de Santo Antão, a 45Km de Recife) e no Engenho de Casa Forte (no bairro de mesmo nome). Mas a vitória definitiva viria após as duas batalhas do Morro dos Guararapes (na vizinha cidade de Jaboatão), em 1648 e 1649. Este local é hoje considerado o berço do exército brasileiro. A retirada completa das tropas holandesas ainda seria demorada: somente a 27 de janeiro de 1654 os portugueses retomariam o controle de Recife. Em 6 de agosto de 1661, em troca de uma indenização de oito milhões de florins, os holandeses assinariam acordo em Portugal renunciando a qualquer pretensão sobre terras brasileiras.

Briga Entre Irmãs: a semente de desenvolvimento plantada pelos holandeses germinou em Recife. Pouco a pouco a cidade, lar de comerciantes e pequenos burgueses, chamados mascates, suplantaria a capital Olinda, lar dos tradicionais senhores de engenho. O ciúme entre as cidades irmãs culminou com a guerra dos mascates, em 1710.

Rebeldia no Sangue: o espírito revolucionário contaminou o sangue dos Recifenses. A capital pernambucana seria palco de várias revoltas, como a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador, de 1824. Nelas se destacaria a figura de Frei Caneca, religioso fuzilado por seus ideais libertários. Mais recentemente, os mesmos ideais norteariam o trabalho de D. Hélder Câmara à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife: sua voz calma e mansa foi o instrumento mais poderoso de combate às atrocidades cometidas pela ditadura militar no Brasil nos anos sessenta e setenta.
Fonte: Meurecife.com.br

27 fevereiro, 2008

História das universidades

Foto ilustrativa: Canterbury

por Carlos Vogt

Como se sabe, a universidade é uma instituição medieval: no sentido literal, sempre; no sentido metafórico, de vez em quando, senão com freqüência, em alguns casos.
O fato é que pelo menos sete séculos de existência contemplam a universidade. Sua história, suas transformações, suas características ao longo do tempo têm sido, com persistência cada vez maior, objeto de estudos e análises que têm contribuído para a compreensão do papel social que ela tem desempenhado desde as suas origens até a nossa época.

O livro História das Universidades, de Christophe Charles e Jacques Verger, constitui mais um desses esforços no sentido de fazer conhecer a universidade e as suas transformações históricas.
Para que se entenda o ponto de vista a partir do qual os autores formulam a sua história da universidade é preciso, com eles, atribuir a essa instituição o sentido relativamente preciso de comunidade (mais ou menos) autônoma de mestres e alunos reunidos para assegurar o ensino de um determinado número de disciplinas de nível superior.

Aceita essa perspectiva, deveremos também aceitar, com os autores, que a universidade é uma instituição criada pela civilização ocidental e cujo nascimento se dá na Itália, na França e na Inglaterra, no início do século 13.

O livro pretende acompanhar o desenvolvimento da instituição por meio das diferentes épocas históricas. Divide-se, assim, em seis capítulos distribuídos por duas partes que coincidem com grandes épocas históricas: a primeira parte trata das universidades da Idade Média e do Antigo Regime e a segunda vai desde o período aberto pela Revolução Francesa até o fim da 2ª Guerra Mundial.

Ao traçar esse amplo panorama das universidades, os autores procuram arrolar uma série de indicadores que permitam compreender a dinâmica institucional do ensino superior em sua época. Para tanto, trazem indicadores quantitativos no que diz respeito ao número de estudantes, ao número de professores e funcionários, aos seus salários, aos dados de orçamento e de dispêndio. Outros dados, esses agora de natureza mais qualitativa, permitem acompanhar de forma mais viva o papel social e muitas vezes político das universidades. Entre esses dados estão aqueles de natureza filosófica e conceitual, aqueles de características mais metodológicas - no que concerne ao ensino e à pesquisa -, além daqueles relativos às origens sociais dos estudantes e das diferentes vocações que a universidade foi perseguindo ao longo do tempo, com especial ênfase para a tensão entre uma concepção humanista-idealista-humboldtiana e seu papel e uma concepção mais pragmática e profissionalizante.

Nesse percurso diversificado e rico de acidentes destaca-se, com uma constância significativa, o esforço histórico das universidades buscando consolidar a sua autonomia. De um modo geral, a autonomia das universidades se enfraquece na medida em que aumenta a sua dependência direta dos recursos do Estado e a conseqüente ingerência deste nas coisas próprias da vida acadêmica. A questão da autonomia de gestão financeira das universidades vai, pois, se configurando ao longo da história como um dos principais objetivos a serem conquistados pela sua comunidade, sobretudo a partir do momento em que o modelo do ensino superior público e gratuito vai se impondo como a forma mais eficiente e eficaz de realização dos fins principais da atividade universitária: o ensino, a pesquisa e a prestação de serviços.

O livro do Christophe Charles e Jacques Verger é uma visão resumida do amplo panorama que pretendem desenhar. É um trabalho de divulgação que trata, salvo brevíssimas menções à América Latina e uma pequena parte dedicada ao Japão, das universidades européias e dos Estados Unidos. Traz, no final, uma bibliografia brevemente comentada, constituindo-se, desse modo, num guia importante para aqueles que desejam se iniciar no conhecimento dessa instituição que foi se tornando cada vez mais universal e indispensável à vida social, política, cultural e econômica das nações.

História das universidades
Christophe Charles e Jacques VergeEditora Unesp, São Paulo, 1996

Conheça a história das universidades no Brasil desde o período colonial

Michèlle CanesDa Agência Brasil Brasília – Brasil, colônia portuguesa. Para que seus filhos pudessem ter acesso ao ensino superior, a burguesia os mandava para a Europa, na maioria das vezes com destino à Coimbra. Essa possibilidade de poder mandar os filhos para estudar na Europa criou, de início, uma resistência à criação de um projeto de ensino no país.

Depois da transferência da corte de Portugal para o Brasil, algumas escolas superiores foram criadas no Rio de Janeiro e na Bahia. Durante o processo de separação da Metrópole, vários projetos de criação de universidades foram apresentados e abortados. Somente em 1915, já na República, o governo reuniu escolas politécnicas, faculdades de direito e de medicina da então capital brasileira na Universidade do Rio de Janeiro, considerada a primeira instituição de ensino superior do País.

Em 1961 foi criada da Universidade de Brasília. O professor Darcy Ribeiro, então parte do governo, retoma a idéia de universidade com a convicção de que ensino superior requer instituições integradas, orgânicas e atuantes, onde a cultura científica é traço fundamental, integrando-se à profissionalização. Seu projeto, entretanto, foi interrompido no período do golpe militar de 1964."Do golpe em diante, a data relevante é 1968, com a lei de Reforma Universitária. Até lá, o que houve foram medidas de intimidação. Foi uma lei abrangente, dizia qual ensino as universidades teriam e que teriam que ter uma estrutura. As universidades tiveram que se ajustar", conta o pesquisador Edson Nunes, do Observatório Universitário da Universidade Candido Mendes.

Nunes lembra que, na época, "foi criado um centro de estudos gerais, que não deu muito certo, mas estava lá. O relevante é que o governo tenta estruturar a universidade. Eles seguiam um modelo americano de desprofissionalização. Essa lei ficou vigente por muito tempo e algumas idéias não deram certo. Logo depois, as universidades passaram por momentos difíceis, com o AI-5 intimidando e proibindo as pessoas, a liberdade de expressão". O Ato Institucional 5 foi umas das medidas do governo militar que diminuiu ainda mais as liberdades do País.

Após o AI-5 houve uma política de crédito, trazendo alguns modelos de estrutura e forma, mas o conteúdo foi pouco desenvolvido. Nunes diz que, depois da reforma, a próxima lei importante foi a de Diretrizes e Bases, em 1996, já no governo de Fernando Henrique Cardoso. O ensino superior no Brasil foi retomar seu crescimento durante o governo de Fernando Henrique, quando houve um sensível aumento de vagas nas universidades privadas. Segundo Ricardo Musse, professor do Departamento de sociologia da Universidade de São Paulo (USP), a demanda dos alunos que saíam do ensino médio cresceu, havendo então a necessidade de criarem novas vagas. "A demanda gerada por essa ampliação foi coberta por uma expansão do ensino privado. Essa expansão se deu, sobretudo por uma legislação que facilitou a abertura de cursos e instituições, sobretudo de faculdades, centros universitários e universidades."

"A situação das universidades tem se deteriorado nos últimos anos porque houve uma reforma silenciosa nos anos do governo FHC, década de 1990, na qual a provocação pública foi desmobilizada. Isso em vários sentidos. O primeiro fato mais flagrante e evidente é de que a percentagem de vagas oferecidas pelas universidades públicas se inverteu em relação às privadas, ou seja, o pólo de expansão do ensino universitário brasileiro passou a ser a rede privada", diz Musse.

A universidade pública conservou-se ainda, durante esse tempo, como centro de produção da pós-graduação, "mas mesmo isso estava sob risco", conta o professor.Para o educador Anísio Teixeira, a real concepção da escola superior no Brasil parece ter sido, desde o princípio, "a de um organismo composto de cátedras de certas matérias, que constituíam o currículo do curso único oferecido pela escola". Assim, o catedrático e o currículo único do curso impediam que a escola pudesse crescer além da capacidade individual do catedrático. "A idéia de cátedra pode até ser discutida, mas não representa privilégio algum, mas sim segurança do docente, que encontra condições de se aprimorar e, além disso, liberdade e independência de que necessita para ser um verdadeiro professor universitário", afirma.

Atualmente, no grande número de instituições do ensino superior que existem - com curso único na maioria delas –, o corpo docente é predominantemente de tempo parcial e tem outros encargos. Na sua maioria vai à universidade somente para dar aula e o contato entre professor e aluno limita-se, quase sempre, ao encontro em sala de aula.De acordo com o Ministério da Educação, cerca de 70% das vagas existentes são de instituições privadas e apenas 30% estão nas universidades públicas. Diante desses números, o atual governo propôs em um anteprojeto, uma reforma no ensino superior que prevê a reestruturação das universidades públicas e um controle do crescimento e qualidade das privadas.

Colaborou Núcleo de Pesquisa da Agência Brasil

26 janeiro, 2008

Israel: achada pedreira usada no Monte do Templo

Arqueólogos israelenses asseguram ter descoberto a pedreira da qual há 2 mil anos foram extraídos os blocos de pedras usados na construção das muralhas do Templo de Jerusalém, alguns deles ainda nos alicerces do Muro das Lamentações.
"Sempre nos perguntávamos de onde foram extraídas as grandes pedras dessa titânica obra de arquitetura, algumas com mais de 10 m de comprimento, e há dois meses descobrimos esta pedreira em uma inspeção de rotina", explicou o chefe da Direção de Antiguidades no distrito de Jerusalém, o arqueólogo Yuval Baruch.
"Os vestígios encontrados, como cerâmicas e moedas, testemunham que esta pedreira foi explorada na época do rei Herodes, o Grande", acrescentou.

Herodes, de origem iduméia, reinou na Judéia entre 40 a.C. e 4 d.C. e, para ser aceito pelos judeus, expandiu e reformou o Templo de Jerusalém até dimensões sem precedentes na região, entre outros projetos de engenharia que importou de Roma.

Do templo resta hoje apenas o Muro das Lamentações, local mais sagrado para o judaísmo, e em seus alicerces, em áreas escavadas sob o nível do solo, ainda podem ser vistos os imensos blocos de pedra.
"Estes grandes blocos, na maioria com mais de 7 m, 8 m e 9 m, e que pesavam mais de 5 t, não foram usados em nenhuma outra construção, por isso deduzimos que seu destino era o templo", afirmou o arqueólogo Ehud Nesher.

Além disso, para sua mudança era necessária uma infra-estrutura que só estava ao alcance de alguém como o rei, ou os romanos que governavam a Judéia. Acreditava-se até agora que a pedreira da qual se construiu o templo bíblico estava perto ou dentro da Cidade Antiga, como nas proximidades da Fortaleza Antônia.
E o que mais surpreende os arqueólogos é a distância de 4 km ou 5 km entre a pedreira, hoje dentro de um novo bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém, e o santuário dos israelitas.
"Os construtores de Herodes não buscaram qualquer pedra para levantar o templo, e sim uma que hoje é conhecida como ''malake'' (rainha, em árabe), que era famosa por sua grande resistência e bela cor branca", explicou Baruch.

A pedra é tão branca que, por estar polida, conseguiu confundir até o meticuloso e conhecido historiador judeu Flávio Josefo, que escreveu que o Templo de Jerusalém era feito de mármore.
A pedreira, de meio hectare, também permitiu a descoberta das técnicas de extração de pedras usadas naquela época. "Primeiro, vários operários escavavam uma canaleta ou fundação de até 30 cm de largura por 1,30 m de profundidade, e depois soltavam o bloco com certeiros golpes de cinzéis", disse Nesher.
Um destes cinzéis de ferro, pesando mais de 4 kg, foi encontrado pelos arqueólogos na fissura entre duas pedras. A descoberta ocorreu porque "um operário cometeu um erro ao cravar o cinzel na rocha", segundo o arqueólogo.

"O cinzel devia entrar entre duas lingüetas com forma de cunha que eram colocadas em sentido inverso, mas ele as cravou ao contrário, e as três ferramentas ficaram cravadas na rocha até dois meses atrás", afirmou.
Estes cinzéis, de 10 cm de comprimento, geravam, ao serem golpeados, uma força equivalente a cinco toneladas, o que fazia com que a base do bloco se quebrasse.
O bloco de pedra depois era levantado a alguns centímetros do solo com um simples sistema de alavanca, colocado sobre madeiras e rodado até o local da obra. Nesher acredita que a pedreira foi explorada por não mais de 20 anos, após os quais foi esquecida e coberta pela erosão de séculos.
Segundo os arqueólogos, os grandes blocos de pedra, "por sua dimensão e resistência, contribuíram para preservar a estabilidade das estruturas durante milhares de anos".

Fonte: EFE
Publicação: 23 de setembro de 2007