16 setembro, 2007

"O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil"

Capa: Hélio de Almeida São Paulo, Editora Companhia das Letras,1995
Edição brasileira (1ª e 2ª): Editora Companhia das Letras, São Paulo, 1995.

Fechando a série de Estudos de Antropologia da Civilização, Darcy Ribeiro concluiu O povo brasileiro em 1995, dois meses após deixar o hospital onde estivera internado para tratamento de um câncer. Preocupado em concluir a série de estudos à qual se dedicara durante tantos anos com a análise antropológica da formação do povo brasileiro, na linha teórica elaborada nos livros anteriores, Darcy Ribeiro dedicou-se em período integral a escrevê-lo, refugiado em sua casa da praia de Maricá, no Rio de Janeiro.

Darcy Ribeiro na introdução de O povo brasileiro diz que este livro é um esforço para contribuir com lucidez na análise de por que o Brasil ainda não deu certo:

"Primeiro, pela análise do processo de gestação étnica que deu nascimento aos núcleos originais que, multiplicados, vieram a formar o povo brasileiro. Depois, pelo estudo das linhas de diversificação que plasmaram os nossos modos regionais de ser. E, finalmente, por via da crítica do sistema institucional, notadamente a propriedade fundiária e o regime de trabalho - no âmbito do qual o povo brasileiro surgiu e cresceu, constrangido e deformado." (Darcy Ribeiro, O povo brasileiro, Ed. Companhia das Letras, 1995, p. 26)

Arqueólogos exumam rainha viking para identificar acompanhante


SLAGEN (Reuters), 10 de setembro - Arqueólogos exumaram nesta segunda-feira o corpo de uma rainha viking para tentar descobrir se a mulher sepultada a seu lado cerca de 1.200 anos atrás foi sacrificada para ser uma espécie de dama de companhia de além-túmulo.


Uma hipótese menos macabra é de que as duas mulheres sepultadas num pequeno monte gramado Oseberg, sul da Noruega, sejam uma rainha e sua filha, mortas da mesma doença por volta de 834."Faremos os exames de DNA para tentar descobrir. Não sei de nenhum esqueleto viking que tenha sido analisado como pretendemos", disse à Reuters, à beira da cova, Egil Mikkelsen, diretor do Museu de História Cultural de Oslo.Sob chuva, quatro homens cavaram cerca de 1,5 metro e ergueram um caixão de alumínio que contém os ossos das duas mulheres - que originalmente estavam sepultadas em um espetacular barco viking.


As mulheres e o barco de 22 metros, cuja proa curva feita de carvalho permanece intacta, foram descobertos em 1904 na colina de cinco metros de altura, cercada de milharais. O achado foi uma das grandes sensações arqueológicas do século XX.


O chamado barco de Oseberg está atualmente num museu em Oslo, mas os ossos voltaram a ser enterrados em 1948. Cerca de 200 pessoas, inclusive colegiais, assistiram à exumação.


"Não sabemos quem são as mulheres", disse Mikkelsen, acrescentando que o DNA vai esclarecer se eram parentes. "A análise de DNA pode provar se eram mãe e filha. Mas sempre achei que eram a rainha e sua criada", acrescentou.


A criada pode ter sido sacrificada - talvez degolada - num ritual para acompanhar a rainha ao Valhalla, o paraíso dos vikings. Numa tumba viking da Dinamarca, por exemplo, um idoso sepultado ao lado de um jovem havia sido decapitado.Uma nova análise química dos ossos também pode dizer o que as pessoas comiam. Na época dos vikings, a carne - de alce, por exemplo - era muito valorizada, enquanto os pobres comiam peixe.

"Se elas eram mãe e filha, provavelmente comiam a mesma comida. Se uma das mulheres era uma criada, elas teriam dietas diferentes", disse Mikkelsen.


O caixão de alumínio será levado a Oslo e aberto para as análises, que deverão durar um ano.Por Alister Doyle

01 setembro, 2007

Chama acesa - História recente sobre o rei do cangaço Lâmpião.

MOACIR ASSUNÇÃO

O fogo de uma metralhadora Hot Kiss estrategicamente postada ceifou, em uma madrugada enevoada, a vida de um dos maiores mitos do sertão brasileiro. Na gruta de Angicos, município de Poço Redondo (SE), um labirinto de pedras ao lado do rio São Francisco, morriam, em 28 de julho de 1938, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, sua companheira Maria Bonita e outros nove cangaceiros.Considerado "enfeitiçado" e imoral pelos sertanejos, Lampião, que já havia escapado de inúmeros combates e tocaias, morreu sem dar um tiro sequer. Sua fama de imortalidade ficou, junto com o corpo retorcido, no chão do riacho seco que cruza Angicos. As 11 cabeças foram levadas pelos algozes para exposição e estudos no Instituto Nina Rodrigues, de Salvador.

Sessenta anos depois de sua morte, que praticamente pôs termo ao cangaço, a figura de Lampião, morto pelo comandante de volante (grupos móveis de policiais que atacavam os cangaceiros na caatinga) João Bezerra, cresceu muito, até atingir a dimensão de mito. Se estivesse vivo, o bandoleiro, nascido em 4 de junho de 1898, estaria comemorando o centenário neste ano.

Personalidade contraditória, Lampião não foi, embora tenha sido pintado dessa forma, inclusive pelos prestigiados jornais "The New York Times" e "Paris Soir", um bandido social. Apesar disso, pesquisadores como Antonio Amaury Corrêa de Araújo, autor de seis livros sobre o cangaço, afirmam que ele teve, algumas vezes, atitudes de Robin Hood, ao dividir o produto de seus saques com a população carente. Ao mesmo tempo em que agia assim, o cangaceiro celebrava acordos espúrios com os reacionários coronéis nordestinos.

Capitão do exército e interventor federal em Alagoas, quando Lampião ainda estava vivo, Eronildes de Carvalho, acusado de fornecer armas e munição modernas ao bandoleiro, foi um dos seus mais notórios defensores. Na Paraíba, Lampião contava com o providencial apoio do coronel José Pereira, personagem central da Revolução de 30, com quem posteriormente se indispôs. Em Alagoas, o cangaceiro também podia ficar tranqüilo. Era protegido por membros da família Malta, antepassados da ex-primeira-dama Rosane Collor de Mello, que davam excelente cobertura a Lampião. Em troca de tanta "generosidade", os cangaceiros eram usados na política local, protegendo coronéis e suas fazendas e, em alguns casos, eliminando adversários incômodos.

Origens do cangaço

Para o pesquisador Frederico Pernambucano de Mello, um dos grandes especialistas brasileiros no assunto, o fenômeno do cangaço é resultado da colonização violenta e do isolamento cultural do sertão, região semi-árida que corresponde a 49% do território nordestino. "Os homens que colonizaram o sertão, terra ignota até metade do século passado, foram os rudes soldados que derrotaram o poderoso exército holandês da época, negros vindos das minas do sul e bandeirantes paulistas que mal falavam o português. Ao chegar, defrontaram-se com os índios tapuias, que, ao contrário dos mansos tupis do litoral, eram bravos e sanguinários. O choque desses dois grupos só poderia gerar uma raça habituada ao cheiro de sangue", sustenta o pesquisador, que tem um punhal de prata, com detalhes em ouro, que pertenceu a Lampião.


Fé e sangue

Em alguns momentos, a violência da figura do cangaceiro e o poder de persuasão do líder religioso, outro personagem importantíssimo do sertão, se aproximam. Exemplo típico é a Guerra de Canudos, na qual multidões de sertanejos, entre eles temíveis bandidos vindos das lavras de diamante de Lençóis (BA), reuniram-se em torno do beato Antônio Conselheiro. Aproximações semelhantes ocorreram também com Lampião. Em Juazeiro do Norte (CE), em 1926, o líder messiânico padre Cícero, que já enfeixava considerável poder político, ofereceu, para espanto de autoridades e militares, o título de capitão dos Batalhões Patrióticos ao cangaceiro para que ele enfrentasse um inimigo muito mais temido pelos coronéis: a Coluna Prestes, que circulava pela região. O bandoleiro teve apenas algumas escaramuças com patrulhas do Cavaleiro da Esperança, Luís Carlos Prestes.

Em 1927, após ser derrotado em Mossoró (RN), Lampião cruzou o rio São Francisco e internou-se na Bahia, justamente no Raso da Catarina, área onde atuara Antônio Conselheiro. Grandes guerreiros de Canudos, Pajeú e João Abade, sob cujo comando sertanejos derrotaram três expedições militares, usaram em seus combates táticas de guerrilha semelhantes às que viriam a ser usadas pelos cangaceiros de Lampião décadas depois.

Apesar de ser um personagem arcaico, que usava patuás e rezas bravas característicos da religiosidade medieval, Lampião, cuja inteligência e bravura eram reconhecidas até pelos inimigos, utilizou vários ardis para se manter tanto tempo no cangaço. As táticas iam desde o suborno de comandantes de volantes até a conquista da simpatia e apoio da população com boas ações isoladas, como fazem, nos dias de hoje, os traficantes dos morros cariocas. "Conversei com vários ex-chefes de volantes que me confirmaram ter recebido dinheiro de Lampião para fugir ao combate", revela o pesquisador Antonio Amaury. Espremida entre os cangaceiros e a polícia, quase sempre tão brutal quanto os bandidos, a população civil não sabia a quem recorrer.

Lampião se sentia tão seguro do seu poder que, em 1925, chegou a mandar um telegrama ao governador de Pernambuco propondo que esse dominasse o estado até Arcoverde (então Rio Branco), enquanto ele governaria o sertão. Embora o fato tenha sido apenas uma brincadeira do Rei do Cangaço, dá uma idéia da sua certeza de impunidade ao atacar vilas do interior.


Polêmica

As comemorações pelo centenário de Lampião e a proposta, aprovada por unanimidade pela Câmara de Triunfo (PE), de construção de uma estátua em homenagem ao cangaceiro dois metros mais alta que o Cristo Redentor serviram para reacender antigos rancores. Um dos mais tenazes inimigos do bandoleiro, ainda vivo e forte aos 95 anos, Davi Jurubeba passou oito anos perseguindo os cangaceiros na caatinga e se irrita à simples menção da idéia. "Lampião foi um bandido cruel e estuprador. Como podem querer homenagear alguém como ele?", pergunta Jurubeba, que perdeu 17 parentes nas mãos dos cangaceiros. O pernambucano, que garante jamais ter fugido dos bandidos, jura que, se fosse mais jovem, impediria a construção do monumento. Com certeza, obteria sucesso. Quem teria coragem de contrariar o homem que jamais fugiu de Lampião?

Filho de João Bezerra, o comandante da volante que matou o Rei do Cangaço, o administrador de empresas Paulo Brito, de 47 anos, acredita que há uma tentativa de transformar Lampião em um herói. "Reconheço sua valentia, mas ele foi um bandido, que jamais poderia servir de exemplo para ninguém", diz ele, que já hospedou em sua casa, em Recife, Vera Ferreira, neta do bandoleiro. Brito lembra que seu pai, apelidado de Cão Coxo pelos cangaceiros, admirava Lampião, que também o respeitava, apesar da inimizade de ambos.

Cangaceiros ainda vivos, como Ilda Ribeiro de Souza, a Sila, que mora em São Paulo, e Manuel Dantas Loiola, o Candieiro, morador de Buíque (PE), participaram das homenagens, que, na opinião deles, estão corretas. Ambos escaparam da batalha de Angicos. Quando fugia sob cerrado tiroteio, Sila viu a amiga Enedina ser morta com um tiro na cabeça pelos soldados. "Em meus dois anos no cangaço, vi Lampião matar traidores e inimigos em combate, quando as chances são iguais para os dois lados, mas nunca tive notícias de que ele assassinasse inocentes ou desrespeitasse famílias", afirma.

Hoje um pacato comerciante, Candieiro, de 83 anos, que há poucos anos se encontrou, no local do massacre, com o velho inimigo Panta de Godoy, matador de Maria Bonita, lembra que Lampião aparentava estar cansado das lutas no sertão. "Ele dizia que só brigava se estivesse num apuro muito grande e não tivesse outro jeito", revela. Vera Ferreira diz ver o avô famoso como um homem que não podia agir de outra forma diante das circunstâncias que o levaram ao cangaço. O pai, José Ferreira, foi morto pelo delegado Amarílio Vilar, inimigo de Lampião. "Ele não foi herói nem bandido. Foi um homem valente, que, junto com seus cangaceiros, enfrentou a injusta ordem social vigente. Se não fizesse isso, seria um omisso, como tantos da época", afirma.


Casos do cangaceiro

- O matador de Lampião, João Bezerra, morto em 1970, tinha, curiosamente, uma trajetória muito semelhante à de sua vítima. Acusado de ter sido um dos fornecedores de armas aos cangaceiros, Bezerra, entre outras coincidências, nasceu no mesmo dia e ano de Lampião.

- Apesar de ter vivido tanto tempo no cangaço, em alguns casos exterminando famílias inteiras, como os Gilo e os Quirino, Lampião jamais conseguiu matar Zé Saturnino, seu primeiro grande inimigo, e Zé Lucena, responsável indireto pela morte de seu pai, e pela sua própria, como comandante de João Bezerra.

- Cangaceiros e policiais das volantes usavam uma mesma forma de matar: o sangramento, em que os enormes punhais eram enfiados na fossa clavicular esquerda - conhecida popularmente como saboneteira. Esse procedimento, segundo os pesquisadores, era copiado dos vaqueiros.

- Não há registro de que o bando de Lampião estuprasse mulheres. Três cangaceiros foram mortos pelos companheiros por mexer com moradoras de fazendas de coronéis amigos.

- Extremamente vaidoso, Lampião chegou a ler duas biografias suas, feitas quando ele ainda vivia, e se orgulhava de ser comparado a Robin Hood.

- Algumas testemunhas do massacre dos cangaceiros em Angicos, entre as quais o cangaceiro Zé Sereno, defendiam a teoria de que a bebida levada pelo coiteiro (protetor de cangaceiro) Pedro de Cândida estaria envenenada. Outros negam a versão.

- Depois da morte do cangaceiro, surgiram inúmeras histórias, jamais confirmadas, de que ele teria escapado do massacre. Seus grandes inimigos, os valentes moradores de Nazaré (atual Carqueja), em Pernambuco, entre eles Davi Jurubeba, choraram porque queriam tê-lo matado.

- Se tivesse respondido a todos os processos que foram abertos contra ele, Lampião seria condenado a mais de mil anos de cadeia, segundo pesquisas do juiz Assis Timóteo.


Cabras de Lampião

Cidade serrana vizinha a Serra Talhada, terra natal de Lampião, Triunfo tem algumas peculiaridades na história do cangaceiro: historicamente, os cidadãos mais poderosos do simpático município sempre o protegeram. Nos dias de hoje, a elite cultural e econômica de Triunfo continua defendendo o líder bandoleiro. Uma casa, situada exatamente na divisa entre Pernambuco e Paraíba, de propriedade do juiz Assis Timóteo, ilustra bem a situação: quando volantes da Paraíba cercavam o imóvel, bastava os cangaceiros mudarem de cômodo, que os soldados ficavam sem ação, com medo de invadir o estado vizinho. Os policiais pernambucanos enfrentavam a mesma dificuldade.

Há casos, citados pelo pesquisador Antonio Amaury, em que os grupos ficavam frente a frente sem se hostilizar. O interesse por Lampião na cidade superou até divergências político-partidárias. O juiz aposentado e vereador pelo PSB Ruy Patu compõe, junto com a primeira-dama Lúcia Mello, do PFL, o também juiz Assis Timóteo e a geógrafa Diana Rodrigues, o grupo dos "lampiônicos", que se reúne uma vez por semana, usando roupas típicas, para estudar o cangaço.

Na terra natal do cangaceiro, dominada pelo deputado federal Inocêncio de Oliveira, pesquisa recentemente conduzida pelo Centro Cultural Cabras de Lampião concluiu que 79% da população aprova as homenagens ao filho famoso. Na Fazenda São Miguel, vizinha do antigo sítio Passagem das Pedras, onde nasceu Lampião, o que resta de uma casa, toda esburacada por tiros, atesta a violência dos combates do cangaço.

Preservada por descendentes de Zé Saturnino, primeiro grande inimigo do bandoleiro, a casa (foto), onde brotam, despreocupadamente, facheiros e mandacarus, plantas típicas do sertão, foi palco de uma grande luta entre o bando de Lampião e Saturnino, parentes e empregados. Como não conseguiu liquidar o rival, o bandoleiro matou parte do gado e destruiu cercas e casas, causando-lhe grande prejuízo. Segundo Anildomá Willamés de Souza, presidente da Fundação Cabras de Lampião, uma ONG voltada à divulgação do cangaço, a prefeitura da cidade pretende comprar a área para transformá-la numa espécie de sítio histórico.

O local onde nasceu e viveu o cangaceiro famoso, nos dias de hoje, é uma das mais violentas do país. Com população aproximada de 28 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o semi-árido nordestino detinha, há dois anos, quando foi feito o censo econômico, renda per capita de R$ 2,5 mil, contra R$ 4,7 mil no Brasil como um todo. O índice de analfabetismo na área chega a ser o dobro do nacional. Conhecida como polígono da maconha, a região de Serra Talhada, especificamente, é muito perigosa, e poucos motoristas se aventuram a viajar à noite nas mal policiadas estradas.

Até o banditismo, que nos tempos do cangaceiro ainda mantinha uma certa ética, perdeu totalmente o caráter. Com toda a polêmica sobre sua trajetória, talvez o cangaceiro seja aquilo que afirmava, com seus versos sertanejos, o cantador Ezechias da Rocha, o Zabelê: "Era brabo, era marvado,/ Virgulino, o Lampião,/ mas era, pra que negar,/ nas fibras do coração,/ o mais perfeito retrato/ das caatingas do sertão".

Fonte: Sescsp.org.br

No rastro de Lampião

O ataque do bando de Lampião a Mossoró vem sendo contado e recontado em prosa e verso, desde 1927, quando a resistência comandada pelo então prefeito Rodolfo Fernandes impediu que os bandoleiros saqueassem a cidade. O assunto parecia exaurido, com exceção de alguns pontos polêmicos, entre os quais as motivações e as verdadeiras circunstâncias da morte do cangaceiro José Leite Santana, o Jararaca, que ainda não foram e dificilmente serão esclarecidas. A verdade, contudo, é que havia muito mais a ser contado, um vácuo histórico de 400 quilômetros, compreendendo o início da marcha dos cangaceiros rumo à capital do Oeste potiguar e o caminho percorrido por eles após o confronto em Mossoró. E é essa lacuna que o juiz de Direito Sérgio Augusto de Souza Dantas, do Juizado Especial do Fórum Varela Barca, de Natal, propõe-se a preencher com o livro "Lampião e o Rio Grande do Norte - A História da Grande Jornada". Em entrevista exclusiva ao jornal O Mossoroense, o autor fala sobre a obra, revela dados coletados em seis anos de pesquisa, levanta nova hipótese para a execução de Jararaca e afirma que está apenas esperando o convite para lançar o trabalho na terra que derrotou o Rei do Cangaço.

Cid Augusto Repórter

Como surgiu a idéia de se refazer o roteiro de Lampião no Rio Grande do Norte?

Tudo começou em Martins. Em dezembro de 1993, logrei êxito em concurso público de provas e títulos para o cargo de juiz de Direito neste Estado. Aos primeiros dias de janeiro do ano seguinte, assumia, na qualidade de juiz substituto, a comarca serrana. Nos dias subseqüentes, fiz uma pequena correição no cartório, selecionando processos, organizando arquivos, vendo feitos ainda pendentes de julgamento. Quando verificava o arquivo geral, a fim de aferir a ordem regular dos processos, tive contato com antigo calhamaço judicial, onde apareciam como réus os cangaceiros Virgolino Ferreira da Silva, Massilon Leite, Sabino Gomes e outros. O processo era de 1927. De muito há muito, entretanto, eu já ouvira sobre Lampião. Quando adolescente ainda, costumava escutar estórias contadas pelo meu avô materno, natural do município pernambucano de Triunfo. Deliciava-me com as narrativas sobre o "cabra Lampião", como o velho costumava chamar. Então - voltando ao fio da meada - ao perceber documento de tamanha importância histórica naquele cartório, iniciei uma verdadeira batalha para decifrar as letras escritas à mão nas inúmeras folhas do processo. Vale lembrar, aí, que até a ortografia era relativamente díspare da atual, o que só aumentou o grau de dificuldade na interpretação. O processo, enfim, contava crimes havidos nos sítios Castelo, Cachoeirinha de Vítor, Jurema, Serrota e descrevia uma chacina ocorrida na madrugada do dia 12 de junho daquele ano, ocorrida nas imediações da atual cidade de Lucrécia. Três homens mortos pelo bando liderado pelo famoso cangaceiro. Também havia citações a assaltos a fazendas situadas no município de Pau dos Ferros. Até então - como a maioria acredita - eu cria que a passagem de Lampião pelo Rio Grande do Norte fora silenciosa, e tinha como objetivo único saquear Mossoró. Lógico que até aí não havia interesse em escrever um livro. O que fiz foi copiar o velho processo e guardar a reprodução xerográfica para um momento futuro. Confesso mesmo que o colecionei como uma "raridade" histórica. Mas os fatos que ali encontrei narrados, me intrigaram bastante. Anos passaram, todavia a lembrança daquelas estórias e outras que ouvi pelo sertão afora, não se apagaram da memória.

Certo dia, algo em torno de uns cinco anos, resolvi pesquisar mais, saber mais. Voltei às folhas do processo. Tinha como certo que muito havia sido feito pela malta de cangaceiros pelo interior do Estado. Em pouco também consegui uma cópia do processo-crime instaurado também em 1927 na Comarca de Pau dos Ferros, aqui no Estado e em Crato, no Ceará, e fui montando um quebra-cabeças.

Talvez aí, nesse estágio, já houvesse a gênese de um livro. Afinal, tinha dados inéditos em mãos. Resumindo a "Grande Jornada": em que cidade começa a narrativa e onde ela se encerra? Aí onde está o ponto crucial do nosso livro. A descrição do ataque a Mossoró me parecia uma coisa vaga. Não só para mim, como para grande parte de pessoas com quem conversei. A grande maioria dessas - mesmo os habitantes do sertão - são totalmente leigas no assunto "cangaço". Poucos sabem diferenciar quem foi Jesuíno Brilhante, Silvino ou Lampião. Datas e fatos são confundidos, distorcidos e mesmo criados. Há, por exemplo, quem pense que Antônio Silvino fez parte do bando de Lampião. Na pesquisa de campo mesmo, encontrei quem afirmasse que Lampião havia morrido em Mossoró durante o combate. Veja como a ignorância a respeito do tema é de impressionar.

Assim - como disse há pouco - Mossoró parecia algo solto, sem um antes ou um depois. Havia a vitória da resistência encabeçada pelo intendente Rodolfo Fernandes, fato incontroverso, incontestável. Porém, não me eram fáceis encontrar explicações do porquê da invasão do Estado, quem patrocinou a ousada empresa, por onde o bando passou até chegar à grande cidade salineira. Também me assaltaram dúvidas sobre a veracidade de outros crimes ocorridos no interior do Rio Grande do Norte, além daqueles citados nos processos que há pouco me referi.
Grandes historiadores locais deixaram à margem de suas pesquisas o que foi vivido no interior do Estado entre os dias 10 e 13 de junho de 1927.

Resolvi, pois, cobrir as lacunas. Esclareço, entretanto, que o livro não relata em compartimentos estanques as etapas das minhas inúmeras viagens a campo, até porque foram feitas em períodos às vezes distanciados um do outro em torno de seis meses e em lugares opostos entre si. Porém, no que tange ao enredo em si, a história é o conjunto do que foi apurado na leitura da extensa bibliografia sobre o assunto, em documentos judiciais, jornais da época, documentos encontrados em arquivos públicos do Rio Grande do Norte e Paraíba. Em suma, a história narrada é rigorosamente cronológica e formalmente precisa: tem início no mês de dezembro de 1926, em Recife, quando o Governo de Pernambuco enceta violenta campanha contra o cangaço, forçando a "migração" dos bandos de Lampião, Sabino, Jararaca e outros para o extremo ocidente da Paraíba e depois Ceará. É nesse contexto que Massilon - misto de jagunço e cangaceiro já bastante conhecido no extremo sudoeste do Estado do Rio Grande do Norte - encontra Lampião em coito encravado em fazenda de importante político cearense, e o convence saquear Mossoró.

Mas o livro vai bem mais além da grande marcha sobre o solo potiguar. Segue os passos do Capitão Virgolino pelo Jaguaribe, Cariri, sertões adustos de Pernambuco, sempre com a polícia em seu rastro, durante o resto de 1927 e meses de 1928, demonstrando, aí, a resposta das autoridades públicas ao insolente ataque a Mossoró. Enfim, concluo a narrativa em julho de 1928, quando Lampião e mais cinco cangaceiros remanescentes do grande bando que marchou sobre nosso Estado, cruzaram o Rio São Francisco. A partir dali, em território a princípio isento de perseguições policiais, o cangaço lampiônico reinará mais uma década. Digo a princípio porque em pouco tempo a Polícia da Bahia também passou a persegui-lo.
Lampião morrerá em julho de 1938.

O senhor também pretende refazer esse roteiro, lançando o livro em algumas cidades pelas quais o bando de Lampião passou?

Isso dependerá do interesse das Prefeituras e Autoridades locais. Seria interessante, de início, lançá-lo em Mossoró. Principalmente o habitante desta cidade deve entender com maior profundeza o contexto histórico, e perceber quão grande foi o heroísmo da urbe naquele dia e, principalmente, aperceber-se de que Mossoró representou um verdadeiro divisor de águas na carreira de Lampião. De lembrar que até o episódio Mossoró, Lampião tinha em seu rastro as polícias de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Com o ataque irresponsável a Mossoró - cidade já por demais importante à época - o cangaceiro atraiu contra si mais dois contingentes militares: o do Rio Grande do Norte e - por razões que não cabe aqui discutir, posto expostas no livro - também o do Ceará.

Cinco Estados contra um bando de menos de setenta homens. Não houve saída. Lampião não era mais bem-vindo nem no Ceará, lugar de antigos e indevassáveis coitos. Em Mossoró morava gente importante, grandes comerciantes de algodão e sal. Ou seja, usando o dito popular, o vesgo "cutucou onça com vara curta". É provável que a grande maioria dos habitantes da terra de Baraúna não se dê conta dessa importância histórica. Só a resistência em si não explica nada. Denota, sem dúvida, a bravura de um povo. Porém, o principal aspecto é omitido: Mossoró enxotou - desculpe-nos a rudeza do termo -, vez por todas, Lampião do lado de cá do Rio São Francisco. E isso as gerações futuras têm que ter em mente. E ajunto, dizendo que a SBEC tem um papel preponderante neste particular, aguando sempre a planta, para o episódio não cair no esquecimento, como ocorreu em Uiraúna, na Paraíba, fato, aliás, que também narro em nosso livro. Raro o habitante daquela cidade que sabe pelo menos o ano em que se deu a grande vitória da população sobre o bando de uns trinta a quarenta cangaceiros liderados pelo próprio Lampião.

Por falar em Uiraúna, e voltando ao cerne de sua pergunta, penso em lançar o livro lá igualmente, como em outras cidades. Mas, repito, aguardo a manifestação das autoridades ligadas à cultura dos municípios de Luís Gomes, Pau dos Ferros, Marcelino Vieira, Antônio Martins, Frutuoso Gomes, Martins, Umarizal, Apodi, Governador Dix-Sept Rosado, só para citar algumas áreas cruzadas pela malta lampiônica naquele ano.

Que contribuições o livro traz para a história do cangaço?

Em parte já respondi a pergunta até este ponto. Todavia, lembro que o longo percurso que refiz, partindo de Missão Velha, no Ceará, foi pontilhado, em 1927, de pequenos e grandes eventos, todos, dentro do possível, contados no livro. Episódios inéditos ocorridos no Ceará, como o fogo de Porteiras, o combate de Riacho do Sangue, por exemplo, são narrados em minúcias. Outros fatos de grande importância ocorridos no Ceará, Paraíba e aqui no Rio Grande do Norte, e ainda não narrados, foram trazidos ao conhecimento do público. Em uma palavra: Mossoró foi o meio do caminho. Faltava o "início" e o "fim" da história e esse foi o meu maior propósito. E esses dois pólos - o digo com propriedade - estavam praticamente imaculados em termos de pesquisa.

Quais pontos desse roteiro de Lampião ficaram marcados pela crueldade?

Há vários, porém não me cabe aqui aferir a gravidade de atos praticados neste ou naquele lugar. O meu objetivo é deixar o leitor tirar as suas próprias conclusões. Cito, entretanto, alguns exemplos: no combate de Riacho da Fortuna, no Ceará, o bando de cangaceiros matou vários soldados. Já na Paraíba, Massilon e Sabino praticamente destruíram o antigo povoado de Canto do Feijão, hoje cidade de Santa Helena. Lá, por questões pessoais, Massilon matou dois homens, inclusive o "chefete político" local. E, no mês anterior, enquanto Massilon atacava Apodi, Lampião com perto de quarenta homens - como citei anteriormente - tentava penetrar em Belém do Arrojado, hoje Uiraúna, sendo rechaçado por onze civis. Enorme quantidade de fatos inéditos são, repito, trazidos à baila. Tentativas de homicídio são descritas; a terrível chacina ocorrida no lugar Caboré, arredores da cidade de Lucrecia, no sopé da Serra de Martins, também é relevada em detalhes. Tudo, claro, fundamentado em documentos e em fonte primária. Portanto, cabe ao leitor, como disse, julgar se foram de fato "atos de crueldade" ou reação de homens rudes a um sistema político-judiciário capenga.

Lampião teve realmente receio de entrar em Mossoró pelo fato de a padroeira ser Santa Luzia, como diz a tradição da cidade?

Essa afirmação é do doutor Raul Fernandes, em seu clássico "A Marcha de Lampião". Creio que não se pode creditar só à lenda. Deve haver algum fundo de verdade. Essa informação teria sido passada a Fernandes por Jaime Guedes, genro do Coronel Antônio Gurgel. O poderoso Coronel da Fazenda Brejo deve ter ouvido essa afirmação da boca do próprio chefe cangaceiro. Entretanto, dado o longo tempo passado entre o fato estudado e a minha pesquisa de campo, nada ouvi neste particular. Portanto, não ousaria questionar a informação prestada por doutor Raul Fernandes em sua grandiosa obra.
Há poucos registros sobre a morte de Menino-de-Ouro, que não suportando a dor de um ferimento sofrido em Mossoró teria pedido a Lampião que o executasse.

O livro desvenda esse episódio?

O episódio já foi desvendado desde 1995 pelo pesquisador Hilário Lucetti. Casualmente Hilário encontrou um certo Zeferino que trabalhava na fazenda Piçarra, do velho coiteiro de Lampião, Antônio Teixeira, o Antônio da Piçarra. Aos poucos lhe granjeou confiança e acabou com toda a história do Menino-de-Ouro em mãos. Todo o episódio - as confusões com o apelido, a prisão do ainda garoto - está contado no livro "Lampião e o Estado Maior do Cangaço", do próprio Lucetti. De fato, eu não desvendo mito nenhum. Apenas referendo as palavras de Lucetti, o qual teve contato direto e quase diário com o chamado Menino-de-Ouro. E acrescento apenas o seguinte: o episódio da morte de Menino-de-Ouro é narrada por Raul Fernandes na obra a que me referi anteriormente, e teve como FONTE ÚNICA o depoimento de Antônio Luiz Tavares, o ex-cangaceiro Asa Branca. Raul chega mesmo a falar que desenterraram o cadáver do garoto ("A Marcha de Lampião", capítulo 14, nota número 11). Todavia, minhas pesquisas no Arquivo Público do Estado e no Instituto Histórico e Geográfico não registraram a exumação de um garoto no lugar indicado pelo velho Asa Branca, mas de um homem adulto. Não lhe posso precisar agora a data da edição, mas há uma nota inserida em um exemplar do jornal "A República" sobre o fato. E veja mais um detalhe: segundo o próprio Lucetti me contou, Zeferino, quando vivo, lhe disse que seu apelido era Alagoano ou Oliveira, e raríssimas às vezes se referiam a ele como Menino-de-Ouro. Por fim, basta ver a foto do bando tirada em Limoeiro do Norte em 15 de junho daquele ano. Lá está o Alagoano, o Oliveira, o Menino-de-Ouro de Lampião posando para o instantâneo. Particularmente creio que o ex-cangaceiro Asa Branca - com todo o respeito que devo à sua memória - deve ter confundido nomes e passou de forma errônea a história para o doutor Raul Fernandes, ou mesmo a tradição oral criou o mito Menino-de-Ouro e a posteridade o repercutiu. Essa é a minha visão. Porém respeito a opinião de quem insiste em contrário.
O senhor usa a expressão "horda maldita" para designar os cangaceiros. Isso significa que, na sua opinião, os cangaceiros eram bandidos e não excluídos sociais, como defendem alguns? A expressão "horda maldita" é somente sinônimo para bando, chusma ou choldra. Todas significam a mesma coisa. Pode ser traduzido como bando de malfeitores. Porém, como já apontei acima, e torno a insistir, deixo que o leitor tire suas conclusões. O meu trabalho não tem cunho sociológico. Não trata Lampião como herói ou bandido. Narra somente um história, tem um bom enredo. Entretanto, em minha opinião pessoal, a aura do cangaceiro esconde um certo enigma, mas todo o conjunto parece ser fruto do coronelismo, da falta de Justiça, da desigualdade social, da miséria extrema. Enfim, um somatório de fatores que fogem à alçada de meu trabalho, o qual, repito, tem cunho exclusivamente histórico.

Deixo apenas uma pergunta: Se Lampião foi tão cruel como amiúde se dissemina, porque tanta idolatria ainda hoje? Lampião tinha coiteiros no Rio Grande do Norte?
Nada apurei a esse respeito. Sequer uma referência a esse fato foi por mim ouvida nesses anos de pesquisa.

Como a imprensa de Mossoró cobriu o episódio?


Olha, revirei vários jornais da época. Aqui do Estado, da Paraíba e do Ceará. Especificamente no caso do Rio Grande do Norte, a imprensa local praticamente se deteve no episódio ocorrido em Mossoró. Quase nada encontrei em relação às tropelias do bando nas vilas, sítios ou fazendas situadas no Oeste do estado.
Jararaca virou "santo" e, recentemente, a prefeitura ergueu estátuas de Lampião e de Maria Bonita no centro de artesanato do município, enquanto Rodolfo Fernandes pouco é lembrado nos meios populares.

Como o senhor avalia essa questão?

Torno com a mesma resposta já aqui fornecida em pergunta anterior: se ele era tão cruel assim, por que se idolatra? Por que Lampião é tão procurado em lojas de artesanato Nordeste afora? De lembrar, antes de qualquer coisa, que o cangaço forjou parte significativa da cultura nordestina em geral. A cultura da bravura, da valentia, do chapéu de aba virada para cima, das alpercatas em couro, do xaxado, só para lembrar alguns ícones materiais, que logo são associados ao Nordeste, ao sertão. Agora, quanto à questão do ex-intendente Rodolfo Fernandes - mentor maior da resistência mossoroense - acho uma injustiça não muito se fazer para manter viva a sua memória. Neste particular, creio que o povo e seus representantes poderiam resgatar de maneira mais incisiva o valor heróico e o arrojo do antigo chefe político. O estudo é fundamental para a difusão da cultura, e infelizmente a leitura não é um hábito brasileiro. É preciso, de fato, ler para saber sobre Rodolfo Fernandes. Já Lampião, você escuta histórias verdadeiras ou falsas o tendo como protagonista em qualquer esquina. Não há o esforço da leitura para o conhecimento. Os boatos se espalham rápido e por si sós. Porém, se o Coronel Rodolfo é hoje pouco lembrado na cidade, não me cabe tecer comentários a esse respeito. Só os mossoroenses podem explicar esse paradoxo. Creio, pessoalmente, que Fernandes não ainda esteja no patamar que merece, mas de igual acredito que em tempo hábil, não só os mossoroenses, mas todos os potiguares entenderão melhor a grande figura que foi o político Rodolfo Fernandes.

A morte de jararaca: vingança, medo ou covardia?

Na minha opinião, queima-de-arquivo. Suspeito que a sugestão ou ordem para a execução não partiu daqui do Estado. Nas entrevistas que Jararaca deu à imprensa àquela época, apontou nominalmente coiteiros poderosos, coronéis do Ceará e de Pernambuco. Creio que se houve uma determinação para exterminá-lo, tal veio de fora. Todavia, desejo frisar, não há prova nenhuma em torno dessas hipóteses, e por tal não posso apontar uma opinião conclusiva. Seria temerário. Todavia, em meu trabalho, coloco algumas questões que levam o leitor a meditar um pouco sobre o assunto. Talvez um dia o mistério seja desvendado. Ou, do contrário, permanecerá enterrado como o cadáver do cangaceiro Colchete: sepultado em lugar secreto, recôndito, difícil de encontrar, para que os tentáculos da história jamais o desvende.

Fonte: Jornal O Mossoroensessss