21 outubro, 2007

Recife Pernambuco Brasil - História de uma Cidade

Carvalho Pinto

Viajar é cultura! - “Quem viaja muito sabe muito”. Uma viagem
é uma oportunidade para nos familiarizarmos com pessoas de outros lugares,
para aprendermos mais sobre seus costumes e modo de vida. Se permitirmos, uma
viagem pode corrigir conceitos errôneos e abrandar preconceitos.

É por meio do conhecimento que nos desenvolvemos em todos os sentidos,
e sendo assim, temos a oportunidade de entender os diversos conceitos da vida.
Portanto, estaremos habilitados a ajudar aos nossos semelhantes e a nós
mesmos. Tenho por lema ir a todo e qualquer lugar para saber mais sobre povos,
culturas e quem sabe, até corrigir conceitos errôneos e eliminar
preconceitos. Moro num país tropical e ando caminhando pelo nordeste
no intuito de saber como vive o povo brasileiro. Neste ano de 2004 estive em
Recife e Olinda, em Pernambuco. Futuramente falarei sobre Olinda e mostrarei
imagens deste belo lugar.


Pernambuco é um estado de clima tropical atlântico, no litoral,
e semi-árido, no agreste e no sertão. O estado apresenta extensa
vegetação de mangue ao longo da costa, floresta tropical na Zona
da Mata e a caatinga no interior. O estado é um dos maiores centros turísticos
do Brasil. São 187 quilômetros de praias de areia fina e águas
verdes, com destaque para Tamandaré e Porto de Galinhas, ao sul de Recife,
utilizadas para esportes náuticos. Ao norte, encontramos a ilha de Itamaracá,
que preserva uma antiga prisão. A 545 quilômetros da capital fica
o arquipélago de Fernando de Noronha, de beleza impar que tanto fascina
os visitantes.


Pernambuco é terra de várias celebridades. Destacados escritores,
como Manoel Bandeira. E ritmos populares como o Frevo e o maracatu que tanto
nos encantam. A cana-de-açúcar sempre foi o carro chefe da economia
pernambucana. Muitos ficaram riquíssimos e por isso, encontramos uma
desigualdade de renda gritante entre ricos e pobre. Além destes problemas,
os conflitos de terras se somam e geram muita violência. Outro grave problema
que os pernambucanos enfrentam é derivado pelo cultivo da maconha. A
maior parte das plantações fica na divisa com a Bahia e Alagoas,
sendo conhecido “polígono da maconha”.



A Bela Capital de Pernambuco é o Recife. O Recife é uma eterna
paixão. Segundo os estudiosos, a palavra ‘arrecife’ é
a forma antiga do vocábulo ‘recife’ e que ambos procedem
do árabe, ‘ar-raçif’, que significa calçada,
caminho pavimentado, linha de escolhos, dique, paredão, muralha, cais,
molhe. No antigo castelhano arrecife tinha o sentido de caminho, banco ou baixio
mar ... Porque se originou de um acidente geográfico – o recife
ou o arrecife – a designação do Recife não prescinde
do artigo definido masculino: O Recife e nunca Recife. Por isso no Recife, do
Recife, para o Recife e não em Recife, de Recife, para Recife. [J. A.
G. de Mello em O Recife e os Arrecifes, Revista do Arquivo Público, No.
13, 19 74.]. O Recife foi elevado à categoria de cidade pela Carta Imperial
de 5 de dezembro de 1823 e, por Resolução do Conselho Geral da
Província, passou a capital de Pernambuco em 15 de fevereiro de 1827.


A Sede do Governo fica na Praça da República, no Palácio
Campo das Princesas, no Bairro de Santo Antônio. A Praça da República
está situada no local do antigo Campo de honra da província. Formada
por três bonitos jardins, onde encontramos esculturas de divindades clássicas,
da fonte luminosa, das palmeiras imperiais e de um imenso e muito antigo baobá.
Além do Palácio Campo das Princesas, de 1841, encontramos o teatro
Santa Isabel, do século XIX e o Palácio da Justiça de belo
e importante conjunto arquitetônico. Todos estes localizados no Bairro
de Santo Antônio. Os recifenses se orgulham de sua cidade, de seu povo,
de seus vários escritores importantes, da sua música e de seu
alimento.


Na antiga Casa de Detenção, que funcionou até o ano de
1973, encontramos instalada hoje a Casa da Cultura. Em 1855, o engenheiro pernambucano
José Mamede Alves Ferreira, projetou este presídio, de arquitetura
neoclássico. O uso do princípio do Panocticon levou o edifício
para a forma cruciforme, que favorecia, a partir do centro, a vigilância
de todas as alas. Na atualidade esta antiga casa de detenção é
usada como espaço comercial e cultural, com lojas de artesanato, banco
(câmbio), galerias de arte e área para apresentações
do folclore regional. Bem próxima está a antiga Estação
Central do Recife (1888), onde estão instalados o Museu do Trem e a Estação
Terminal do Metrô. Além destes locais interessantes, encontramos
também muitas Igrejas seculares, como a Capela Dourada (Capela da Ordem
Terceira de São Francisco) edificada no período de 1696 a 1724.
A Basílica de Nossa Senhora do Carmo, que foi edificada no ano de 1687
e 1767, em local onde existiu o palácio da Boa Vista, do Conde alemão
João Maurício de Nassau, governador do Brasil Holandês.
Imperdível é o Forte de São Tiago das Cinco Pontas que
foi edificado pelos holandeses em 1630, sob o desenho do engenheiro Tobias Comerstein.
Devido à estrutura pentagonal, passou a ser conhecido como ‘o das
Cinco Pontas’. Não podemos deixar de mencionar o Pátio de
São Pedro que está situado no coração da antiga
ilha de Antônio Vaz, manteve, apesar das intervenções sofridas
ao longo do tempo, suas características originais, sendo um dos mais
importantes conjuntos arquitetônicos preservados da tradição
portuguesa, tombado em 1938. Não muito longe do Pátio de São
Pedro, encontramos o Mercado de São José. Lá encontramos
mais de 500 boxes, grande variedade de produtos, desde o artesanato às
ervas medicinais e peixarias. Enfim, é necessário fôlego
e vontade de andar, para poder conhecer tantos lugares memoráveis.


O turista ao chegar em Recife poderá conhecer os lugares históricos
que foram palco de tanta controvérsia. O Bairro do Recife é o
marco inicial da história da cidade e o seu principal pólo de
animação noturna. Além do imponente casario, destacam-se
o Porto do Recife, com o terminal Marítimo de Passageiros e o Parque
de Esculturas Francisco Brennand, implantada sobre o molhe. A Praça Rio
Branco ou do Marco Zero, como é conhecida, tem o painel A Rosa dos Ventos,
criado pelo pintor pernambucano Cícero Dias. Lá também
encontraremos o Instituto Cultural Bandepe, que está instalado numa construção
do século XX. Esta bela construção é conhecida como
‘ferro de engomar’.


O turista poderá ir ao Observatório Cultural Malakoff, que se
encontra na Torre Malakoff, torreão em sentido tunisiano onde funcionam
uma biblioteca virtual, um sistema de informações culturais e
o observatório astronômico. Outras construções antigas
a serem visitadas: O Teatro Apolo, do século XIX; A Igreja Madre de Deus,
do século XVIII e a Rua do Bom Jesus, chamada no século XVII de
‘Rua dos Judeus’. Nesta Rua dos Judeus estavam ali sediados estabelecimentos
comerciais judaicos e a Sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira das Américas.
Outros locais imperdíveis que poderão ser visitados é o
Forte do Brum (1631) e o Museu Militar.


A Folha de Pernambuco tem como artigo de capa, no dia sete de novembro de 2004
o título: ‘Bairro do recife e dos Assaltantes’. A chamada
sob a foto do Centro Cultural Bandepe dizia: ‘A situação
do bairro, também conhecido Recife Antigo, está insuportável.
Os bandidos estão por toda parte. Ignoram o Núcleo de Segurança
Comunitária e as áreas policiadas. Assaltam, arrombam carros,
espalham o medo. A Folha denuncia este sério problema e pede providências’.
O encarte deste Jornal nas páginas 2, 3 e 4, denunciava e alertava: Bairro
do Recife é caso de polícia. Segundo a Folha de Pernambuco de
sete de novembro de 2004, o bairro do Recife é caso de polícia.
Conforme noticiado pelo jornal, o bairro está na mira dos criminosos.
Muitos carros são arrombados ou depredados. Assaltos ocorrem a qualquer
hora. O tradicional Bairro do Recife, mais conhecido como Recife Antigo, importante
ponto turístico do Estado, vem sendo alvo constante de criminosos. Esses
tipos de delitos acontecem a qualquer hora do dia, assustam as pessoas que circulam
no local. Conforme Robson André.


“Trabalhadores, comerciantes e freqüentadores do Bairro do Recife
reclamam que a falta de segurança tornou o local pouco movimentado e
perigoso. Os estabelecimentos comerciais vêm sendo invadidos pelos ladrões,
que desafiam o poder de polícia ostensiva coordenado pela polícia
Militar”.


Locais mais perigosos do bairro:

Rua do Brum; Ponte do Limoeiro; Ponte Giratória; Avenida Alfredo Lisboa;
Avenida Martin Luther King.Ocorrências policiais (de janeiro a outubro
de 2004):

Janeiro – 17; Fevereiro – 22; Março – 15; Abril –
34; Maio – 13; Junho – 23; Julho – 23; Agosto – 17;
Setembro – 21; Outubro – 7. (Fonte: Comando do 16º Batalhão
de Polícia Militar da Região Metropolitana).


Policiamento reforçado há dois meses. Comandante do 16º BPM
diz que um total de 69 soldados está atendendo área. Para conter
a onda de violência de assaltos e arrombamentos no Bairro do Recife, o
comandante do 16º BPM, tenente-coronel Francisco Duarte, reforçou
o policiamento ostensivo no local. Apesar dos esforços da PM para conter
a violência a Associação de Proprietários de Bares
e Restaurantes do Bairro do Recife reclama da falta de empenho do Governo em
oferecer mais segurança aos freqüentadores e comerciante da área.


Minha visão sobre o Recife: “Simplesmente bela! Se eu fosse me
guiar por esta manchete de jornal, eu não teria ido até o Recife.
No entanto, o que ouvi dizer sobre a cidade é muito mais atraente do
que o artigo acima. Confesso que ao andar pela cidade e no Bairro do Recife
Antigo, fiquei temeroso. No entanto, minha determinação, conjugada
com minha cautela, me fez andar pelo centro da cidade e até pelo Cais
do Porto. Embora com certo temor e receio, me aventurei a conhecer estes belos
lugares. Felizmente não vi nada de anormal e nada me aconteceu”.
Em qualquer lugar que ande, é sempre bom termos cautela!


História de Uma Recife Que Ficou no Passado.



Recife de Maurício de Nassau - Em 14 de fevereiro de 1630, utilizando
a maior esquadra que até então cruzara a linha do Equador, formada
por 65 embarcações e 7.280 homens, os holandeses vieram se instalar
na antiga capitania Duartina, iniciando uma dominação que se estendeu
até janeiro de 1654. Durante 24 anos, passou o Recife de povoação
acanhada do século XVI e início do século XVII a capital
do Brasil Holandês. Foi tanto o crescimento do primitivo Arrecife dos
Navios, foram tantos os melhoramentos obtidos, particularmente durante o governo
do conde João Maurício de Nassau (1637-1644), que, mesmo após
a expulsão dos holandeses (1654), o Recife jamais voltou a depender de
Olinda.


Em 23 de janeiro de 1637, o conde João Maurício de Nassau-Siegen
chegou ao Recife, na qualidade de governador do Brasil Holandês a serviço
da Companhia das Índias Ocidentais. O Recife veio a exercer um fascínio
todo especial ao conde João Maurício de Nassau, que passou a ser
conhecido pelo apelido de "O Brasileiro". Maurício de Nassau,
provavelmente foi o maior dos benfeitores de Recife. No passado Recife foi Sede
do Governo Holandês. Maurício de Nassau veio para ficar, mas, os
portugueses o expulsou. No entanto, ficaram perpetuados os grandes feitos deste
homem de visão. Um dos grandes feitos deste homem de visão foi
à construção da Ponte Maurício de Nassau. Que até
o ano de 1865 foi denominada ponte do Recife. Ela liga o bairro de Santo Antônio
ao bairro do Recife antigo. Foi a primeira ponte de madeira construída
sobre o rio Capibaribe, e a primeira ponte de grande porte no Brasil, inaugurada
em 28 de fevereiro de 1643, sob a administração do príncipe
holandês Maurício de Nassau. Nas suas cabeceiras existiam dois
arcos, um do lado do bairro do Recife, denominado arco da Conceição,
e outro do lado oposto chamado arco de Santo Antônio. Sua estrutura possuía
uma parte levadiça que permitia a passagem de embarcações,
através do pagamento de pedágio, cuja cobrança ficava a
cargo de companhia holandesa. Esta ponte sofreu várias reformas e melhoramentos
nos anos de 1683 e 1742, e em 1865 foi substituída por uma de ferro,
que se chamou Ponte 7 de Setembro, mas teve pouca durabilidade, por conta da
maresia e da rápida deterioração. Em 1917, sob a administração
do governo de Manoel Borba, foi reconstruída em concreto armado e reinaugurada
com o nome Ponte Maurício de Nassau, que se encontra em bom estado de
conservação até hoje. Nas suas colunas laterais, existem
quatro grandes estátuas de bronze, duas em cada extremidade da ponte,
duas viradas para o bairro de Santo Antônio e duas para o bairro do Recife
antigo.


Em 1827, Recife tornou-se capital de Pernambuco, no entanto, ela havia se tornada
cidade no ano de 1823. Conhecemos na Itália a bela Veneza, aqui no Brasil,
encontramos em Recife a Veneza Brasileira, devido a sua similaridade. Na primeira
metade do século XVII, Recife teve a presença holandesa. O que
possibilitou grande desenvolvimento. As construções de pontes
e canais são um legado do governo holandês, sob Maurício
de Nassau. Com a expulsão dos holandeses após duas batalhas no
Monte dos Guararapes em 1648 e 1649, a capitania de Pernambuco conheceu um período
de dificuldades econômicas.


No século XIX, Recife passou por muitos problemas e foi marcado pela
luta política, com objetivo de obter sua autonomia. Tais fatos contribuíram
para deflagrar as Revoluções de 1817, 1824 e 1848.


O município do Recife possui, em nossos dias, uma área de 221
km2 e 471.000 m2, estando localizado numa planície, formada pelas terras
de aluvião trazidas pelo delta dos rios Capibaribe, Beberibe, Jiquiá
e Jaboatão, bem como pelos constantes aterros realizados pela mão
do homem ao longo desses últimos quatro séculos. O Recife tem
seu centro urbano constituído por três ilhas: a do Recife, a de
Santo Antônio e a da Boa Vista, as quais se interligam com o continente,
através de pontes que são como braços a unir toda a cidade.
A sua condição de planície tropical, refrescada pelos ventos
alísios que nos chegam do Atlântico, sem registro de grandes temperaturas,
estiada na maior parte do ano, com o eterno fascínio das praias de água
morna, transforma a capital de Pernambuco num eterno convite para passeios a
pé, nos quais o caminhante ganha as ruas sem maiores compromissos, gozando
do cenário de suas pontes e da beleza dos seus monumentos.


Viver bem é uma arte! Se você está à procura de emoções,
o seu destino é: ‘Recife, Pernambuco, Brasil’.


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Conheça a biografia desse autor,
que trocou a vida de classe média alta, no Jardim Paulista em São
Paulo, pela simplicidade do interior do Nordeste:


[Fotógrafo
Carvalho Pinto]






O fotógrafo Carvalho Pinto tem 50 anos e é paulista; trabalhou
por muitos anos no gerenciamento comercial de empresas de telecomunicações;
desde pequeno tem a fotografia como hobby, possuindo um acervo pessoal de mais
de 6.000 fotos, que abrangem grande parte do Brasil. No início de 2003,
conheceu Petrolina, "o clima agradável, a meiguice das pessoas,
o céu esplendoroso", e decidiu mudar-se para lá. Trocou sua
casa ao lado do Parque do Ibirapuera, por outra atrás da "banca"
(mercado) de Petrolina. Hoje dedica-se a documentar diversos aspectos da vida
nordestina: a arquitetura, as pessoas nativas e as atividades cotidianas.


Contatos:

e-mail: carvalhopinto@terra-nao-spam.com.br

telefone: (087) 3862-6393




Publicada em 27/10/2004






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