06 abril, 2006

‘Evangelho de Judas’ dá nova visão sobre traidor de Jesus Cristo


WASHINGTON (Reuters), 6 de abril - Judas Iscariotes, apontado historicamente como o homem que traiu Jesus, estava cumprindo um pedido dele ao entregar o fundador do Cristianismo às autoridades romanas que o crucificaram, segundo um texto de 1.700 anos atrás, apresentado na quinta-feira.
O "Evangelho de Judas", uma versão alternativa aos tradicionais ensinamentos cristãos, mostra o discípulo como sendo o único no círculo íntimo de Jesus que entendia seu desejo de derramar o sangue pela salvação da humanidade.
"Ele é o mocinho neste retrato", disse Bart Ehrman, professor de Religião na Universidade da Carolina do Norte (EUA), em Chapel Hill. "Ele é o único apóstolo que entende Jesus."
A introdução do evangelho diz que o texto é "um relato secreto da revelação de que Jesus falou numa conversa com Judas Iscariotes". Mais adiante no texto, Jesus diz a Judas: "Você vai superar a todos eles [os outros discípulos], porque sacrificará o homem que me veste".
"A idéia nesse evangelho é que Jesus, como todos nós, é um espírito aprisionado, aprisionado em um corpo material", disse Ehrman. "E a salvação vem quando escapamos da materialidade da nossa existência, e Judas é quem lhe possibilita escapar, permitindo que seu corpo seja assassinado."
O reverendo Donald Senior, presidente da União Teológica Católica de Chicago, disse que o documento revela a diversidade e a vitalidade dos primórdios do Cristianismo.
"A questão se torna a seguinte: esta tradição, esta história alternativa, se preferir, no evangelho de Judas diz algo que de certa forma é igual à afirmação rival na tradição do evangelho?", perguntou.
Não se sabe quem escreveu o evangelho de Judas. O que foi divulgado na quinta-feira é cópia de um texto mencionado no ano 180, em um tratado chamado "Contra Heresias", de autoria de Irenaeus, bispo de Lyon (atual França). O tratado fazia acusações a quem retratava Jesus de uma forma diferente da tradição cristã que vinha surgindo.
No Novo Testamento, Judas é apresentado como a essência do traidor, aceitando 30 moedas para apontar Jesus aos soldados romanos. O Evangelho de São Mateus, que faz parte da Bíblia, diz que Judas imediatamente se arrependeu da traição, devolveu o dinheiro e se enforcou.
O Novo Testamento contém quatro Evangelhos - de Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas vários outros evangelhos, considerados apócrifos, foram escritos nos primeiros séculos da nossa era, sendo atribuídos a discípulos como Tomás e Filipe ou à sua seguidora Maria Madalena.
ESCONDIDO NO DESERTOEhrman, Senior e outros especialistas falaram sobre o Evangelho de Judas em uma conferência da Sociedade Geográfica Nacional dos EUA, que apresentou a tradução do texto e ajudou na sua autenticação e preservação.
A cópia, encadernada em couro, foi redigida no alfabeto copta (povo egípcio do período sob dominação romana) em ambos os lados de 13 folhas de papiro.
O texto passou a maior parte dos últimos 1.700 anos escondido em uma caverna do deserto egípcio, segundo Terry Garcia, da Sociedade Geográfica Nacional.
O exemplar foi provavelmente copiado de um manuscrito original grego por volta do ano 300, segundo Garcia. Descoberto da década de 1970 perto de Minya, Egito, o livro - que inclui o evangelho e outros documentos - foi vendido a um antiquário egípcio em 1978.
O antiquário o colocou à venda, sem sucesso, e posteriormente decidiu encerrá-lo em um cofre bancário de Hicksville, Nova York, onde passou 16 anos - o que acelerou sua degradação. Em imagens apresentadas na conferência, o papiro se assemelha a folhas marrons de outono. Garcia disse que os papiros haviam se esfarelado em mais de mil pedaços.
Em 2001, a Fundação Maecenas para a Arte Antiga, da Suíça, começou a transcrever e traduzir o texto do copta. Nos anos seguintes, exames científicos - inclusive datação por carbono, análise da tinta e imagens multiespectrais - mostraram que o documento havia sido copiado por volta do ano 300.
O Evangelho de Judas será publicado em livro pela Sociedade Geográfica Nacional, e as páginas do papiro serão exibidas no museu da entidade em Washington, a partir de sexta-feira. No futuro, o volume será depositado no Museu Copta do Cairo.
Por Deborah Zabarenko
Fonte: Click21 notícias

01 abril, 2006

Marcos Pontes e nave Soyuz chegam à estação espacial


MOSCOU (Reuters), 1º de abril - A nave Soyuz, que levava o primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes, além de um russo e um norte-americano, chegou à Estação Espacial Internacional (ISS) neste sábado, dois dias após decolar da Terra.

"A acoplagem foi suave e a tripulação está se preparando para abrir as escotilhas e entrar na Estação Espacial", disse um porta-voz do controle de missão logo após a chegada da nave.
Marcos Pontes, um piloto militar brasileiro de 43 anos, está acompanhado do cosmonauta russo Pavel Vinogradov e do astronauta norte-americano Jeffrey Williams, ambos iniciando uma temporada de seis meses no espaço. O brasileiro ficará pouco mais de uma semana no espaço.
Dezenas de autoridades espaciais brasileiras, russas e norte-americanas no Controle de Missão assistiam em um telão enquanto a equipe que estava na estação - formada pelo norte-americano Bill McArthur e pelo russo Valery Tokarev - dava as boas-vindas aos recém-chegados.
"Marcos está bem?" foi a primeira pergunta feita por Tokarev quando a escotilha foi aberta. Em poucos segundos, um alegre Pontes já podia ser visto flutuando para dentro da estação e agitando a bandeira do Brasil. Pontes também levou uma camiseta da seleção brasileira de futebol.
Naves russas têm sido responsáveis por levar tripulantes e mantimentos à estação desde que a Nasa parou de usar seus ônibus espaciais depois de não conseguir consertar um problema técnico que matou sete astronautas em 2003.
Os foguetes Soyuz têm se mostrado mais seguros do que os ônibus espaciais, apesar de terem sido fabricados na década de 1960.
A partida da 13ª expedição à Estação Espacial Internacional na quinta-feira foi prejudicada por uma breve falha de comunicação logo após o lançamento da Soyuz do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. Autoridades espaciais russas disseram que a interrupção não ameaçava a missão.
Mas o chefe da empresa Energia, que constrói os foguetes Soyuz, disse que a rede de comunicações sobrecarregada criada nos anos 1970 será renovada usando a última geração de satélites para atender plenamente às exigências do tráfego intenso à Estação Espacial Internacional.