18 março, 2006

Alunos de Jaboatão lançam livro sobre quilombo


Por Talita Rampazzo

Uma aula de história sobre os remanescentes quilombolas de uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA), do 1º e 2º ciclos da Escola Estadual Professora Cândida de Andrade Maciel, em Cajueiro Seco, Jaboatão dos Guararapes, rendeu tantas discussões sobre sociedade escravocrata e preconceito racial que acabou se transformando em livro. A publicação, com o nome de Quilombo, será lançada nesta segunda-feira, 20, às 19h30, no pátio da escola. A Secretaria de Educação e Cultura (Seduc) realizou a edição e a impressão dos exemplares.

O material foi escrito por 28 alunos e pela professora de História, Marta Passos. “O trabalho foi desenvolvido em 2004 para investigar a comunidade de Conceição das Crioulas, localizada no município de Salgueiro, no Sertão, que se originou a partir de um quilombo”, explica a professora. Segundo ela, a idéia de abordar o tema começou a partir da leitura de uma notícia de jornal sobre as localidades que foram fundadas por escravos fugidos, os quilombos. O estudo teve como objetivo verificar quais as semelhanças e diferenças entre essas comunidades na época em que foram criadas e nos dias de hoje, com a influência dos meios de comunicação.

Durante o primeiro semestre de 2004, a turma de EJA participou de uma formação, assistindo a vídeos e palestras e lendo livros para a familiarização do tema. O segundo semestre foi dedicado ao trabalho de campo, com uma excursão a Conceição das Crioulas, a análise dos dados observados e a produção de textos. O livro, com 28 páginas, foi ilustrado com fotos feitas pelos alunos durante a pesquisa. A publicação conta com um anexo que detalha as opiniões dos alunos sobre o estudo realizado.“Com este trabalho, concluímos que o mundo está em constante mudança. Antes de chegar ao remanescente de quilombo, tínhamos uma referência que foi sendo desfeita. As pessoas que vivem em Conceição das Crioulas têm uma realidade igual a nossa. A luta deles contra a discriminação e pela cidadania é a mesma”, conclui Marta. Outro resultado observado pela professora foi a melhoria da leitura e da escrita dos alunos. As fotos do projeto já foram apresentadas em exposição na escola e participou de um dos painéis da reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 2005, em Fortaleza, no Ceará. Este ano, uma outra turma da EJA da mesma escola está realizando um trabalho de campo sobre o Rio São Francisco. Uma viagem para Petrolina já está sendo planejada.
Jornal da Educação - PE

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